No fim de semana passado, alguns espectadores podem ter se frustrado ao perceber que o Baby Groot e o Rocket não aparecerem no filme “Os Guardiões”. E, alguns meses atrás, será que as crianças não estranharam a ausência de Elsa e sua irmã em “O Reino Gelado: Fogo e Gelo”? Acontece que esses dois títulos são produções russas que forçam semelhanças com sucessos do cinema norte-americano.

O pôster de “Os Guardiões” utiliza as mesmas tonalidades do material publicitário de “Guardiões da Galáxia” e “Guardiões da Galáxia Vol. 2”. O grupo de heróis dos dois filmes possuem uma personagem feminina e um animal que caminha sobre duas patas. “O Reino Gelado” também coloca tons azulados em seu material de divulgação, como ostentava “Frozen”, da Disney.

A intenção é clara. Buscar uma semelhança com títulos de sucesso para que espectadores indecisos identifiquem nesses filmes russos o que lhes agradaram nos originais. Há uma inegável má fé na tentativa de enganar o público que, no meio de tantas opções de um complexo de salas de cinema, pode adquirir gato por lebre. A estratégia se assemelha ao recurso de distribuidoras nacionais em empregar títulos locais que não tinham nada a ver com a tradução do original, mas que eram parecidos com algum filme de sucesso, o que era muito comum nos anos 1980 e 1990. As distribuidoras brasileiras que trouxeram “O Reino Gelado” e “Os Guardiões” foram a California Filmes e a Paris Filmes, respectivamente, levaram ao cinema112 mil e 26 mil espectadores cada um.

O cinema russo se orgulha do pioneiro Sergei Eisenstein e do contemporâneo Alexandr Sokurov, e tem muita produção de qualidade ainda a oferecer ao mundo. Sem cópias oportunistas.

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