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07/10/2015 14:52

Sidney Lumet merece ser reconhecido como um dos maiores diretores de todos os tempos. Realizou mais de 40 filmes, muitos deles clássicos. Estreou já com um deles: “Doze Homens e Uma Sentença” (12 Angry Men, 1957), e fez fama com vários outros, como “Serpico” (1974), “Assassinato no Expresso Oriente” (Murder on the Orient Express, 1974) e “Rede de Intrigas” (Network, 1976). Com o livro “Fazendo Filmes” (Making Movies), Lumet prova também que é um excelente escritor e um professor nato.

O livro é basicamente dividido conforme as funções e as fases necessárias ao se realizar um filme. Por isso, o diretor, o roteirista, os atores, o cinegrafista, os diretores de arte e de figurino, os músicos, os executivos do estúdio, possuem um capítulo dedicado. As etapas de filmagem, rushes(quando o diretor e sua equipe visualizam o que foi captado pelas câmeras), edição, mixagem, revelação, também ganham suas respectivas seções.

A vasta vivência de Lumet o credencia a explicar cada um desses papéis e cada uma dessas etapas unindo um pouco de informação técnica com muitas histórias vindas de suas próprias experiências. Do lado técnico, ele explica, com esquemas, as especificações das lentes de uma câmera, por exemplo. E quando explica as funções de um diretor, mostra a complexidade de se filmar um simples diálogo, usando mais de uma câmera – com fundos distintos, a iluminação deve ser modificada para cada um deles. Mas os trechos mais prazerosos de se ler são aqueles em que o cineasta compartilha o que viu na prática.

Como quando, no capítulo sobre atores, relata que precisou de 34 tomadas para conseguir filmar uma cena com Marlon Brando em “Vidas em Fuga” (The Fugitive Kind, 1960). Diante da dedicação do ator, Lumet confidencia ao final que “ama os atores”. Outra experiência similarmente complexa, mas com resultado gratificante, ele conta sobre a cena em que Al Pacino fala ao telefone em “Um Dia de Cão” (Dog Day Afternoon, 1975), que ele considera uma das cenas mais difíceis em termos de atuação que ele encontrou em sua carreira.

Os relatos de Sidney Lumet permitem um olhar de informante interno da indústria do cinema. Conhecemos um pouco das características pessoais dos atores, músicos, cinegrafistas e outros colaboradores com quem ele trabalhou, sem esconder a admiração que sente por muitos deles. Por outro lado, se mantém respeitoso e sigiloso em muitos casos em que ficou desapontado com alguns.

O leitor se encantará e ficará tomado pela inerente paixão pelo cinema que transborda das palavras de Sidney Lumet. “Making Movies” ensina muito, através das lições de quem sempre amou sua profissão. Seu último filme data de 2007, quatro anos antes de sua morte, aos 86 anos.

 

Título: Making Movies

Autor: Sidney Lumet

First Vintage Books Edition, Mar-1996