Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis, 2013)

Avaliação:
8/10
8

Informações

Crítica

Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum (Inside Llewyn Davis, 2013) 104 min. Dir/Rot: Ethan Coen e Joel Coen. Com Oscar Isaac, Carey Mulligan, John Goodman, Justin Timberlake, Ethan Phillips, Robin Bartlett, Max Casella, Jerry Grayson, Jeanine Serralles, Adam River, Stark Sands, Garrett Hedlund, Helen Hong, F. Murray Abraham.

Após o remake de “Bravura Indômita”, os irmãos Ethan e Joel Coen voltam a escrever e dirigir uma obra original. “Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum” se passa em Nova York, nos anos 1960, quando a música folk surgia como uma grande onda musical, com Bob Dylan puxando a corda dos demais músicos para a notoriedade.

As apresentações intimistas em pequenos botecos ilustravam esse ambiente. Em um deles, se apresenta o protagonista Llewyn (Oscar Isaac), cantando sentado em um banquinho, somente com o violão e o microfone. Ele tenta alavancar sua carreira, agora solo, após desfazer a dupla com Jim (Justin Timberlake). Este conseguiu atingir um patamar superior após se juntar a Jean (Carey Mulligan), sua namorada, mas que fica grávida de Llewyn, responsável agora por arrumar um aborto para ela.

O filme mostra Llewyn se dando mal, de várias maneiras e sempre por sua própria culpa. Mesmo sendo um músico talentoso, está sempre sem dinheiro, e precisa constantemente arrumar um lugar para dormir de favor. Em uma casa onde pernoita, deixa escapar o gato do dono. Desbocado, nem sua irmã o suporta e ainda arruma briga por tirar sarro de uma mulher que se apresenta em um bar. E, sucessivamente, sempre está encrencado.

Há muita música folk se alternando com as cenas do filme, algumas tocadas por Llewyn, outras por outros artistas. Há um contraste enorme entre o tom singelo das canções com a vida dura dos músicos, principalmente no caso da dupla Jean & Jim, pois a personagem Jean não tem nada da ingenuidade que interpreta. Somente Llewyn insere um tom mais sombrio em suas composições.

Os irmãos Coen dirigem de forma até econômica quanto a movimentos de câmera. Nada daquele virtuosismo da época de “Arizona Nunca Mais”. Assim, conseguem retratar a incapacidade de Llewyn Davis de mudar sua vida. Até sua tentativa de deixar de ser músico é frustrada. As inserções musicais, até um pouco longas demais, exaltam a sensação de nada dar certo.

Oscar Isaac, apesar de não ser um novato, não era muito conhecido até então. Hoje, já está em várias produções grandes, inclusive “Star Wars – Episódio VII – O Despertar da Força”. Em “Inside Llewyn Davis”, entrega uma interpretação coerente ao personagem, inclusive por ter a habilidade musical necessária. Carey Mulligan, ao contrário da sua aparência em “O Grande Gatsby” (2013), surge aqui com quase nada de maquiagem, adequando-se ao cenário desolado retratado no filme. John Goodman, presença frequente nos filmes dos Coen, aqui faz um pequeno papel como o homem que divide as despesas da viagem de carro com Llewyn.

Mas o brilho maior dos talentosos irmãos Coen surge na cena final, quando o filme retoma a cena de abertura, mas de forma diferente, como se fosse uma elipse onde a ponta final da linha não encontra a ponta inicial. Para Llewyn, mesmo que ele faça uma coisa certa, outra continuará dando errado.

 

 

 

 

 

 
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