A cerimônia de entrega dos Oscars de 2015, o 87º da história da Academia, ficará marcada pelos seus resultados dispersos, premiando várias produções diferentes, sem uma grande concentração em um só filme.
 
Apesar dessa pulverização, “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) se destacou, por levar três dos principais prêmios – os de filme, diretor e roteiro original – e ainda o de fotografia. Como obra cinematográfica, pode ser considerado o filme do ano. Alejandro González Iñarritu, assim, subiu três vezes ao palco para receber seu prêmio e, em momento engraçado, já nem tinha mais o que dizer ou a quem agradecer.
 
Mas, por falar em graça, faltou humor nas quatro horas de cerimônia, principalmente porque o host da noite, Neil Patrick Harris (da série de TV “Como Conheci sua Mãe”) não engrenou. Começou bem, com um muito bem ensaiado e produzido número musical, com presenças no final de Anna Kendrick e Jack Black. Porém, depois foi ficando morno e frio, culminando com dois momentos embaraçosamente sem graça: o humor nonsense que o fez entrar no palco vestindo somente cuecas e o envelope secreto com suas previsões para a cerimônia.
 
Antes disso, no tapete vermelho, quem chamou a atenção, negativamente, foi Melanie Griffith, como acompanhante de sua filha, Dakota Johnson (de “Cinquenta Tons de Cinza”), que era uma das apresentadoras da noite. Irreconhecível devido a muitas cirurgias plásticas, era apenas um pastiche da grande estrela que foi nos anos 1980 e 1990.
 
Como sempre, houve momentos descartáveis, que poderiam ajudar a tornar a cerimônia mais enxuta. Para citar dois, enumeramos as apresentações musicais de Lady Gaga (cantando musicas de “A Noviça Rebelde”) e a canção após a seção “in memoriam”.
 
Em termos de quantidade, “Grande Hotel Budapeste” empatou com “Birdman”. Contudo, seus Oscars foram os considerados “menores”: trilha sonora, desenho de produção, maquiagem e figurino. “Whiplash: Em Busca de Perfeição” veio logo atrás, com os prêmios de edição, mixagem de som e o já previsto ator coadjuvante (J.K. Simmons). Os demais filmes premiados conseguiram apenas um Oscar.
 
Curiosamente, os prêmios de interpretação foram para filmes distintos. Além de “Whiplash”, levaram também “A Teoria de Tudo” (Eddie Redmayne, batendo o veterano Michael Keaton, como melhor ator), “Boyhood: Da Infância à Juventude (Patricia Arquette, atriz coadjuvante) e “Para Sempre Alice” (Julianne Moore, que chorou em vários momentos da cerimônia). Esse último prêmio, de melhor atriz, estava bem cotado para ser entregue a Reese Whiterspoon (“Livre”), que, então, terá que se despir novamente da sua conhecida persona engraçada e romântica para tentar nova indicação.
 
“Operação Big Hero” conquistou o Oscar de melhor animação. “Ida”, o de melhor filme estrangeiro. O Brasil não concorreu nessa categoria, mas estava envolvido no documentário “O Sal da Terra”, de Win Wenders, que foi superado por “Citizenfour”.
 
A canção original que ganhou a estatueta foi “Glory”, do filme “Selma”, uma canção não tão bela, mas com grande importância como um hino para a luta política e social contra o racismo nos EUA. Julie Andrews representou a estrela do passado da noite, ao apresentar esse prêmio.
 
Outros filmes com prêmio único foram “Sniper Americano” (edição de som) e “Interestelar” (efeitos visuais). Sem contar ainda “Crisis Hotline: Veteran press 1” (documentário em curta metragem), “O Banquete” (animação em curta metragem) e “The Phone Call” (curta metragem).
 
E meio a tudo isso e mais, quem conquistou os corações de todos com seu discurso foi Graham Moore, ao receber o Oscar de melhor roteiro adaptado para “O Jogo da Imitação”. Disse ele que, aos 16 anos, tentara se matar porque não se adaptava a este mundo, se achava diferente. E, agora, estava recebendo um Oscar. Emocionado, bradou para todos serem como são, não importa se diferentes ou estranhos. E, um dia, quando receberem seus Oscars, que repassem essa mesma mensagem.