A Empregada

Poster de "A Empregada" (divulgação/Paris Filmes)

Título original: Housemaid

Direção: Paul Feig

Ano de lançamento: 2025

Data de estreia no Brasil: 01/01/2026

Gênero: ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 7/10

O diretor Paul Feig costuma errar mais do que acertar. Causa preocupação, portanto, que ele dirija a adaptação do best-seller “A Empregada” (2022), de Freida McFadden. Principalmente porque ele já estragou “Um Pequeno Favor”, de Darcey Bell, outro livro de sucesso com tema similar, ao adaptá-lo para o cinema em 2018, com direito a uma sequência ainda pior chamada Outro Pequeno Favor (2025). Feig começou na comédia, e tem uma irritante tendência de incluir nessas obras de suspense um toque de humor sarcástico, mesmo que involuntariamente, como parece acontecer neste seu novo filme.

A Empregada aposta numa trama repleta de reviravoltas. É um jogo de enganações, no qual os personagens não são quem aparentam ser. O início acelerado do filme, porém, parece desmentir essa premissa. Millie Calloway (Sidney Sweeney) comparece a uma entrevista de emprego para a vaga de empregada doméstica anunciada por Nina Winchester (Amanda Seyfried), que é casada com o rico herdeiro Andres (Brandon Sklenar) e tem uma filha pré-adolescente, Cece (Indiana Elle). Mas, logo que ela sai do local, através de sua narração, ela revela seus segredos para o espectador. Ela não usa óculos, apresentou um currículo falso e ainda passou anos na prisão. Portanto, a reviravolta não diz respeito a esses pontos.

Quem engana quem

Para surpresa de Mille, Nina a seleciona para a vaga. Porém, na primeira manhã em seu novo emprego, ela se depara com uma Nina raivosa, totalmente diferente daquela amável mulher que a entrevistou. Essa atitude, nos dias seguintes, se transforma em maldade, que o simpático (e atraente) marido Andres se esforça para apaziguar. Pelo jeito, a situação se inverteu, quem engana quem? Nina também assume a narração a partir de certo ponto, para contar a sua história. As duas assim, revivem seus passados para melhor explicar quem são. Por fim, não poderia faltar, nesse duelo de aparências, uma noite de infidelidade, marcada por uma nada sutil trovoada durante a cena de sexo para que o público não se esqueça do perigo que os amantes correm.

Embora o enredo tenha várias reviravoltas, a maior revelação não chega a ser uma grande surpresa. Basta pensar no espírito da época em que vivemos em relação à questão de gêneros. Na verdade, o roteiro não se sustenta diante de um mínimo escrutínio, nem mesmo em relação à questão principal que envolve a liberdade de ir e vir. Mas, Paul Feig consegue criar suspense em muitas das cenas, apesar de algumas falas levarem para um humor sombrio que estraga o clima, especialmente na sala de cinema, onde sempre algum espectador acaba rindo alto nesses trechos. O sorriso no rosto da policial, na conclusão, causa um sentimento decepcionante no público que queria ver um thriller.

Pede um tom sombrio

A Empregada consegue, pelo menos, manter o interesse do público. Não importa se o filme surpreende ou não, todos querem saber qual é a verdade. Além disso, Sidney Sweeney e Amanda Seyfried compõem uma dupla de protagonistas para lá de interessante (repetindo o feito de Anna Kendrick e Blake Lively em Um Pequeno Favor e Outro Pequeno Favor). Porém, Brandon Sklenar não está à altura das duas e nem de sua atuação em Drop: Ameaça Anônima (2025), cujo personagem possuía nuances semelhantes. Provavelmente, porque Christopher Landon o dirigiu com mais foco no suspense, sem buscar o humor, o que leva à conclusão de que Paul Feig não foi a escolha certa para dirigir este filme, que funcionaria melhor com um tom mais sombrio.

___________________________________________

Ficha técnica:

A Empregada | Housemaid | 2025 | EUA | Direção: Paul Feig | Roteiro: Rebecca Sonnenshine | Elenco: Sydney Sweeney, Amanda Seyfried, Brandon Sklenar, Michele Morrone, Elizabeth Perkins, Megan Ferguson, Ellen Tamaki, Indiana Elle.

Distribuição: Paris Filmes.

Trailer:

Onde assistir:
Sidney Sweeney em "A Empregada"

Outras críticas:

Rolar para o topo