A Meia-Irmã Feia

Poster de "A Meia-Irmã Feia" (divulgação)

Título original: Den Stygge Stesøsteren

Direção: Emilie Blichfeldt

Ano de lançamento: 2025

Data de estreia no Brasil: 23/10/2025

Gênero: ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 7,5/10

A Meia-Irmã Feia chegou ao circuito de cinemas no Brasil obscurecido pela avalanche de filmes exploitation baseados em material que caiu em domínio público. Entre eles, alguns contos de fadas, inclusive A Maldição de Cinderela (Cinderella’s Curse, 2024) e A Vingança de Cinderela (Cinderella’s Revenge, 2024), com resultados sofríveis.

Mas, a propaganda boca-a-boca e a inclusão de A Meia-Irmã Feia no catálogo da MUBI acenderam um alerta para esta estreia em longa da diretora Emilie Blichfeldt, também autora do roteiro. Embora explore o horror escatológico, a cineasta norueguesa filma com requinte apurado em todos os quesitos. A fotografia vai do soft focus à luz vermelha excessiva. A direção de arte, os figurinos e a maquiagem recriam o empobrecido fim da Idade Média. Os efeitos especiais conseguem provocar o espectador com imagens grotescas. O uso constante do zoom lembra o bom cinema dos anos 1970.

Beleza interna e externa

O filme assume a perspectiva de Elvira (Lea Myren), uma das filhas de Rebekka (Ane Dahl Torp), a mulher interesseira que se casa com o pai de Agnes (Thea Sofie Loch Næss), a Cinderela. Ele morre logo após o casamento, porém, sem deixar nenhum dinheiro. Então, para sair da miséria, Rebekka faz de tudo para que Elvira possa chamar a atenção do príncipe da região, no baile que ele promove para escolher sua noiva.

O enredo trabalha a transformação física e psicológica de Elvira. A fim de ficar bonita, um médico faz uma cirurgia no seu nariz e implanta novos cílios. Os procedimentos são precários e dolorosos, explorados ao máximo em cenas difíceis de se assistir até para quem é fã do terror.

Além disso, ela engole um ovo de tênia para que o bicho cresça dentro de seu intestino e ela possa emagrecer sem deixar sua gulodice de lado. A simbologia fica evidente: Elvira apodrece por dentro e por fora. Por algum tempo, fica mais bonita do que nunca em sua vida, mas logo depois, já doentiamente obsessiva por se casar com o príncipe, pratica atos desesperados, inclusive automutilação, que a transformam num monstro. Quem salva Elvira da sua danação é a irmã caçula, a única personagem totalmente pura do filme, que tem o sugestivo nome de Alma.

Impossível ficar imune

O público mais sensível sofrerá com A Meia-Irmã Feia. Além das cenas violentas, como a da automutilação, o filme ainda traz vários momentos nojentos. Muitos deles relacionados à tênia (que quando saem do corpo se parecem com o verme real). Aliás, vermes surgem no cadáver do pai (que Rebekka não enterra alegando não ter dinheiro), e até em pratos de macarrão (num truque barato para provocar náuseas).  

A Meia-Irmã Feia, assim, é a versão visceral de Cinderela. Repugnante, provocativo, brutal, mas sem perder a essência da história criada por Charles Perrault. Tão atual quanto A Substância (The Substance, 2024), de Coralie Fargeat, que lida com tema similar (a beleza interna e externa).

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Ficha técnica:

A Meia-Irmã Feia | Den Stygge Stesøsteren | 2025 | 109 min. | Noruega, Dinamarca, Romênia, Polônia, Suécia | Direção: Emilie Blichfeldt | Roteiro: Emilie Blichfeldt | Elenco: Lea Myren, Ane Dahl Torp, Thea Sofie Loch Næss, Flo Fagerli, Isac Calmroth.

Distribuição: Mares Filmes e Alpha Filmes.

Trailer:

Onde assistir:
"A Meia-Irmã Feia" (divulgação)
"A Meia-Irmã Feia" (divulgação)

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