Alfa é o primeiro longa que Albert Hughes dirige sem o seu irmão Allen, com quem formou a dupla The Hughes Brothers que assina, entre outros, O Livro de Eli (The Book of Eli, 2010).
O apreço pelas belas imagens (desta vez com o diretor de fotografia Martin Gschlacht) e a preferência por temas fantásticos se mantêm no cinema de Albert Hughes. Com o advento de mais filmes, será possível confirmar se estas características se confirmam como integrantes de seu cinema autoral.
O universo fantástico em Alfa não especula sobre o futuro. Pelo contrário, relata uma aventura que acontece na Europa de 20.000 anos no período Paleolítico, na chamada Idade da Pedra Lascada. Como acontece no recém-lançado Extermínio: A Evolução (28 Years Later, 2025), um jovem parte para a sua primeira caçada (de búfalos, não de zumbis como no filme de Danny Boyle). É uma jornada arriscada, mas também uma oportunidade para Kade (Kodi Smit-McPhee) provar que é tão corajoso como seu pai, o líder do grupo.
Na primeira chance, porém, Kade mostra justamente o contrário. Ou seja, que ainda não está pronto, pois não consegue dar o golpe fatal num animal abatido. E logo uma tragédia acontece. Durante o confronto entre os caçadores e uma manada de búfalos, Kade é arrastado para um gigantesco precipício. Dado como morto, o pai e seu grupo retornam para casa.
Contrariando as probabilidades, Kade sobrevive. No entanto, não será nada fácil enfrentar os animais selvagens e o clima glacial que se aproxima. Nessa luta, encontra um improvável aliado: um lobo a quem ele ajuda depois de feri-lo quando ele o atacou.
Bonito, mas não empolga
Apesar da beleza das imagens de Alfa, algumas provavelmente produzidas por computação gráfica, o filme não consegue empolgar. A trama se mantém no lugar comum dos subgêneros de filmes com animais e de luta pela sobrevivência diante de um ambiente inóspito. Albert Hughes aumenta a sensação de falta de criatividade ao colocar um gratuito flash forward na abertura.
Além disso, alguns elementos provocam um humor indesejado em meio a um tom de seriedade.
Para começar, o idioma rústico falado pelos personagens e traduzido em legendas, inventado para o filme, não acrescenta a esperada autenticidade e ainda deixa as conversas truncadas e até engraçadas pois parecem mesmo inventadas.
O ator Kodi Smit-McPhee, cuja aparência lânguida o fez notório em Ataque dos Cães (The Power of the Dog, 2021), de Jane Campion, aqui o torna debilitado demais para sobreviver nesses tempos primitivos. O visual escolhido para ele, com um bigodinho de adolescente e uma sunguinha de Tarzan, também não ajuda.
O filme arrisca alternar lobos de verdade com outros criados em computação gráfica. E a distinção fica escandalosamente evidente. Na verdade, os efeitos visuais desta produção não conseguem criar animais convincentes, apesar de que apenas um ano depois a Disney lançaria o live-action O Rei Leão (The Lion King, 2019) que impressionou nesse quesito.
Como nota positiva, destacando-se por sair do padrão, o filme traz uma crítica ao machismo (o macho alfa que deve liderar o grupo, como explica o pai do protagonista), com uma surpresa na parte final em relação ao lobo que Kade apelidou justamente de Alfa. Contudo, no geral, é uma produção bonita, mas sem surpresas.
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Ficha técnica:
Alfa | Alpha | 2018 | EUA | 97 min. | Direção: Albert Hughes | Roteiro: Dan Wiedenhaupt | Elenco: Kodi Smit-McPhee, Leonor Varela, Natassia Malthe, Jóhannes Haukur Jóhannesson, Mercedes de la Zerda, Jens Hultén.
Distribuição: Sony Pictures
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