Animais Perigosos

Poster de "Animais Perigosos" (divulgação)

Título original: Dangerous Animals

Direção: Sean Byrne

Ano de lançamento: 2025

Data de estreia no Brasil: 18/09/2025

Gênero: ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 6/10

Animais Perigosos mistura filme de tubarão com filme de serial killer. E, mostra que, entre esses dois tradicionais vilões do cinema, o da espécie humana é o pior. Essa proposição fica evidente na provocante introdução (que bom que desta vez não é um flash forward) que mostra dois jovens embarcando num passeio a barco na Austrália para viver a experiência de mergulhar com tubarões. Mas, logo eles descobrem que o perigo maior não se encontra dentro da água. Na verdade, o dono dessa atração turística, Tucker (Jai Courtney), usa seu empreendimento para atrair vítimas para uma perversão tão doentia quanto a dos mais asquerosos assassinos em série que já existiram.

Do meet-cute ao meat-cut

Após essa eletrizante abertura, o ritmo desacelera e o tom se aquieta para apresentar a nova vítima da trama, a protagonista Zephyr (Hassie Harrison), uma surfista solitária com vida errante. O meet-cute (aquele momento dos filmes românticos em que o casal se conhece) é uma enorme tolice. O rapaz, Moses [Josh Heuston], procura por um cabo de bateria para dar carga no seu carro, perguntando dentro de uma loja de conveniências. Esse encontro ainda possui diálogos modorrentos e tolos (que continuam assim até o final). Apesar da ausência de charme do pretendente, os dois acabam passando a noite juntos na cama. Mas, logo que amanhece ela vai embora sem se despedir para pegar uma onda. Sozinha, ela se torna presa fácil para Tucker, que a rapta.

Nem precisaria desse lenga lenga todo para despertar a empatia do público pelas duas jovens (a vítima da abertura do filme continua viva) presas na parte inferior do barco do assassino. Afinal, diante dessa situação extrema, qualquer expectador normal torce para que elas consigam escapar do terrível algoz. Da mesma forma, parece desnecessário que o vilão justifique verbalmente, repetidas vezes, as suas motivações para cometer as atrocidades. E o mesmo se pode dizer da sua cena de dança solitária. O fato de ele sentir prazer assistindo aos vídeos (por que em VHS?) das mortes de suas vítimas que ele próprio registrou já bastavam para caracterizar a sua insanidade.

A direção

Entre outros aspectos, o uso da música nesse filme merece uma análise à parte. A trilha musical em si soa exagerada, forçando a sensação de tensão nas cenas. As passagens com quatro batidas no tema recorrente se repetem a todo instante e inequivocamente lembram as reportagens bombásticas de reportagens televisivas. Além disso, tem ainda o clichê (que já cansou) da música suave se contrapondo à violência na tela.

Animais Perigosos é o terceiro longa do diretor Sean Byrne, sempre dentro do suspense e terror. Por conta dessa bagagem, filma bem as cenas de ação, tanto envolvendo tubarões no mar quanto os confrontos no barco. Mas, transpõe os limites e descamba no torture porn quando a protagonista toma uma atitude extrema para se livrar das algemas. Esse momento parece até trecho da franquia Jogos Mortais. Ademais, outro problema que afeta este trabalho de Sean Byrne diz respeito à conclusão, pois ele não sabe quando terminar o filme. Por isso, inclui uma reviravolta totalmente descartável (e que se resolve mal) e um milagre do amor descabido (talvez seja uma desastrada tentativa de alívio cômico).

 Contudo, no geral, apesar dos diálogos ridículos e esses deslizes, Animais Perigosos entrega bons momentos de tensão.  

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Ficha técnica:

Animais Perigosos | Dangerous Animals | 2025 | 93 min. | Austrália, EUA, Canadá | Direção: Sean Byrne | Roteiro: Nick Lepard | Elenco: Hassie Harrison, Jai Coutney, Josh Heuston, Rob Carlton, Ella Newton, James Munn, Liam Greinke.

Distribuição: Diamond Films.

Trailer:

Onde assistir:
Jai Courtney em "Animais Perigosos" (divulgação/Diamond)
Jai Courtney em "Animais Perigosos" (divulgação/Diamond)

Outras críticas:

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