Bowie: The Final Act

Título original: Bowie: The Final Act

Direção: Jonathan Stiasny

Ano de lançamento: 2025

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 8/10

Destaque do festival É Tudo Verdade de 2026, que acontece entre 9 e 19 de abril, o documentário Bowie: The Final Act analisa o percurso que culminou no último álbum do cantor inglês. David Bowie (1947–2016) compôs e gravou “Blackstar” enquanto enfrentava um câncer que o mataria apenas dois dias após o lançamento do trabalho.

Em seu primeiro documentário musical, o diretor Jonathan Stiasny se afasta da tradicional biografia. Afinal, quem quer conhecer a trajetória de David Bowie, passando por seus 26 álbuns de estúdio, pode escolher entre os vários filmes já lançados com esse objetivo. Stiany se diferencia, filtra apenas o que é relevante para construir a personalidade desse artista inquieto.

Bowie decide gravar o seu canto do cisne com composições viscerais e corajosas. Ao invés dos antigos companheiros de discos anteriores, Bowie contrata para seu último álbum um quarteto de músicos virtuosos de jazz liderado pelo saxofonista Donny McCaslin. O filme mostra antes que o cantor costuma tomar essas decisões arriscadas para não cair na mesmice. O trecho sobre a fase Tin Machine (banda de hard rock que ele reuniu para se desviar da trajetória de pop star que ele entrara após o sucesso de “Let’s Dance”) é bem representativo desta sua característica. Portanto, essa decisão parece totalmente coerente no caso de Bowie.

A construção da personalidade

Para retratar da melhor forma o pensamento criativo de Bowie, o documentário não se restringe a uma estrutura em ordem cronológica. Traz Rick Wakeman relatando sua experiência tocando “Space Oddity” no início da carreira do cantor. E uma amiga da época relata a apresentação dele às 5 horas da manhã no primeiro festival de Glastonbury. Em outro momento crucial de sua carreira, ele declara no palco que não mais tocaria ao vivo o show de “Ziggy Stardust”. A narrativa cria uma conexão forte entre os fatos, e em 2000 David Bowie retorna ao Glastonbury como a principal atração, fechando a noite e voltando a tocar seus antigos sucessos da primeira fase.

O documentário ainda passa pelas fases soul, influenciada pelo zeitgeist de Nova York em 1974, e rave, juntando-se aos músicos Moby e Goldie em Londres. Esses dois artistas, assim como outras personalidades relevantes para a carreira de Bowie, gravam depoimentos inéditos para este filme.

Um momento marcante, quando Bowie sente terríveis dores e não consegue continuar com a apresentação, não entra neste documentário com intenção apelativa. A cena tem relevância crucial para contar que logo depois ele sofreu um ataque cardíaco que o afastou da vida artística. Com isso, o filme consegue justificar a comoção que foi o lançamento do single “Where Are We Now?”, nove anos depois desse hiato.

Um documentário musical diferenciado

Bowie: The Final Act consegue surpreender. Não se trata de um documentário biográfico burocrático. Apesar de manter um registro reverente, consegue provar as qualidades que evoca do artista retratado. Todos dizem que Bowie é camaleônico, e Jonathan Stiasny prova o porquê. Os fãs alegam que ele é um gênio da contracultura e não um pop star – e o filme demonstra com as várias vezes que ele se recusa a dar o que o sucesso exige. Além disso, o filme se diferencia dos documentários musicais ao ousar fugir do caminho mais fácil de passar pela discografia e pelos maiores sucessos.

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Ficha técnica:

Bowie: The Final Act | 2025 | 90 min. | Reino Unido | Direção: Jonathan Stiasny | Com David Bowie, Goldie, Gary Kemp, Moby, Hanif Kureishi, Chris Hadfield, Jayne Middlemiss, Rick Wakeman, Reeves Gabrels, Tony Visconti, Earl Slick, Mike Garson, Erin Tonkon, Jason Lindner.

David Bowie em "Bowie: The Final Act"

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