Em Caso 137, o diretor francês Dominik Moll mais uma vez aborda o filme policial como se fosse um episódio de uma série do gênero. Repete, assim, o que fez em seu longa anterior, o muito bom A Noite do Dia 12 (La nuit du 12, 2022). O que aproxima os formatos filme e série, em seu caso, é a ênfase nos personagens, fortalecidos o suficiente para encarar novos casos em novas produções, sejam em sequências ou episódios.
Desta vez, a protagonista Stéphanie Bertrand (Léa Drucker) é uma investigadora policial que trabalha na corregedoria. No enredo, inspirado em eventos reais, ela destrincha o caso de um jovem que foi gravemente atingido na cabeça por um tiro de bala de borracha durante uma manifestação de protesto. Há fortes suspeitas de que o tiro foi dado por um policial.
Em termos dramatúrgicos, mais importante do que a resolução deste crime é o quanto a investigação afeta a protagonista. Entre os apelos desesperados da mãe da vítima e os depoimentos dissimulados dos policiais investigados, Stéphanie luta para realizar o seu trabalho com isenção, em busca do esclarecimento da verdade. E, para isso, vai além dos procedimentos básicos, como na insistência para falar com uma importante testemunha ocular.
A policial humanizada
A apuração impacta na vida pessoal da investigadora. Primeiro, porque a vítima e a família dela moram na mesma região onde Stéphanie nasceu e foi criada – e onde seus pais ainda vivem. Por outro lado, seu ex-marido e a namorada dele também trabalham na polícia, e eles pensam que a profissão está com uma má imagem perante o público e temem que esse caso possa agravá-la. Por isso, segundo o ex, o filho deles, um adolescente, prefere esconder que os pais são policiais.
Como no citado longa anterior do diretor Dominik Moll, aqui também se mostra a protagonista saindo para se divertir com os colegas num boliche. A cena serve para aproximar a personagens dos espectadores. É um recurso para humanizá-la – além de policial, ela é uma pessoa como qualquer uma – característica muito desenvolvida nas séries.
Na direção, Dominik Moll chama a atenção ao usar, com recorrência, a narração em off da protagonista para revelar o conteúdo do que ela digita nas petições do processo. É um recurso esperto para movimentar a investigação formal sem que isso pareça maçante. Lembra o que fazia François Truffaut em seus filmes, mas este com finalidade poética.
A parte final de Caso 137 é uma ducha de água fria. Na intenção de se manter realista, ou na pretensão de ser um filme-denúncia, os esforços da protagonista não resultam em nada. O corporativismo, afinal, fala mais alto do que a justiça. A visita de Stéphanie à mãe da vítima soa um tanto forçada e, como esperado, inócua. Mais marcante é o trecho que mostra a personagem resignada, tentando se divertir com vídeos de gatinhos postados nas redes sociais. Segue, assim, o comportamento da sua mãe, tristemente conformada a se alienar do que acontece ao redor.
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Ficha técnica:
Caso 137 | Dossier 137 | 2025 | 115 min. | França | Direção: Dominik Moll | Roteiro: Dominik Moll, Gilles Marchand | Elenco principal: Léa Drucker, Jonathan Turnbull , Mathilde Roehrich, Pascal Sangla, Claire Bodson, Florence Viala, Hélène Alexandridis.
Distribuição: Autoral Filmes.



