Dollhouse resgata as melhores qualidades do terror japonês. É um filme que aborda o sobrenatural com seriedade, não se sentindo obrigado a concessões ou alívios cômicos. Por outro lado, respeita o sentimento humano, e opta por não aterrorizar com a imagem de uma criança morta num trecho inicial onde o fantástico ainda não entrou em ação. Os jump scares funcionam, porque trazem apenas flashes de milésimos de segundos de uma horrível criatura. E evita o risco de parecer tolo – como alguns trechos dos filmes dos similares Chucky e Annabelle – ao nunca mostrar a boneca Aya como um boneco com vida própria em movimento.
A trama é uma variação do subgênero boneco assassino. Ganha consistência por inserir Aya, a boneca, como solução para o luto de uma mãe que perdeu a filha de cinco anos em uma tragédia. Mas, o nascimento de uma filha representa o conforto definitivo. Um aparente acidente envolvendo a boneca e a recém-nascida sela de vez o abandono de Aya.
Ao completar cinco anos, a menina encontra a boneca e estabelece com ela um elo fortíssimo. Então, fenômenos estranhos começam a acontecer. Conforme avança a história, revela-se um segredo horripilante envolvendo o fabricante da boneca. No lugar de um exorcista, entra um especialista budista em cremação de oferendas. Os segredos levam a descobertas cada vez mais tétricas, como partes humanas usadas na confecção de Aya, mantendo o clima do filme sempre sóbrio.
Dollhouse tem direção e roteiro do experiente Shinobu Yaguchi. Embora ele não seja um especialista no gênero, conseguiu realizar aqui um J-horror de matar a saudade dos melhores exemplares que o Japão produziu.
___________________________________________
Ficha técnica:
Dollhouse | 2025 | 110 min. | Japão | Direção: Shinobu Yaguchi | Roteiro: Shinobu Yaguchi | Elenco: Masami Nagasawa, Koji Seto, Tetsushi, Tanaka, Aoi Ikemura, Totoka Honda, Ken Yasuda, Jun Fubuki.
Distribuição: Sato Company.



