Drácula

Poster de "Dracula", de Radu Jude (divulgação/RT Features)

Título original: Dracula

Direção: Radu Jude

Ano de lançamento: 2025

Gênero: ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 6,5/10

Não pense encontrar neste Drácula de Radu Jude uma adaptação clássica do livro de Bram Stoker, ou de outras obras sobre a criatura que bebe o sangue de suas vítimas. Pelo contrário, pois o filme traz as características piadas grosseiras e a forte liberdade criativa que marcam a sua filmografia. No entanto, o diretor, por ser romeno possui, uma genuinidade ímpar para abordar esse mito que surgiu a partir do seu conterrâneo, o príncipe Vlad, o Empalador.

Vem daí a premissa do longa, que acompanha um diretor criando um novo filme sobre Drácula. Muitas das piadas tiram sarro das bizarrices que a Inteligência Artificial pode gerar, dependendo do que se pede a ela. A introdução (novamente com a grosseria típica de Radu Jude) mostra uma animação distorcida de um Drácula falando uma safadeza. Esse tipo de erro da IA reaparece em vários momentos, inclusive em algumas cenas de ação, fazendo as vezes da computação gráfica para os efeitos visuais (que é uma ideia esperta, até para economizar dinheiro, como também as lutas com atuações em câmera lenta).

A estrutura de antologia surge desse processo do diretor dentro do enredo pedir sugestões à IA e esta devolver pequenos filmes para sua aprovação. Várias referências cinematográficas surgem nesse exercício, aliando homenagens de Radu Jude com o mecanismo da ferramenta de inteligência artificial. Assim, um Dracula sai da tela numa projeção particular em uma clínica para pacientes milionários – como Chaplin – lembrando Rosa Púrpura do Cairo (1985). Da mesma forma, uma colagem de trechos de Nosferatu (1922) ganham uma abordagem sacana, remetendo a anúncios publicitários – tema do próprio Jude em Oito Cartões-Postais da Utopia (2024).

Jude Rude e a Romênia

Jude traz à tona filmes antigos romenos, e concentra o episódio mais longo numa história tradicional do seu país. Mas, talvez sua perspectiva de dentro mais contundente seja crítica. Esta aparece no relato, que entra e sai do filme, sobre um ator que se apresenta como Drácula à noite num restaurante. Os donos do estabelecimento exploram ao máximo essa figura mítica. O ator precisa, por isso, se prostituir e ainda correr pelas ruas da cidade (locações belíssimas, diga se de passagem) enquanto os clientes simulam uma caça a vampiros. Em outro segmento, Radu Jude coloca o espectador dentro de um museu turístico que explora a história de Vlad, o Empalador.  

Por fim, um pequeno conto surpreendentemente naturalista, sobre um gari, encerra o filme Dracula. Radu Jude, talvez, queira lembrar que também sabe dirigir esse tipo de narrativa. Porém, não é desta vez que ele o faz nas quase três horas de duração que pesam. Apesar de estruturado em segmentos variados, o filme repete várias vezes as mesmas piadas e a mesma apelação à baixaria regada de sexo e nudez.

Radu Jude tme sido um dos queridinhos da 49ª Mostra. Nesta edição, ele participa com dois filmes: este Drácula e Kontinental ’25.

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Ficha técnica:

Drácula | Dracula | 2025 | 170 min. | Romênia, Áustria, Luxemburgo, Brasil | Direção: Radu Jude | Roteiro: Radu Jude | Elenco: Adonis Tanța, Gabriel Spahiu, Oana Maria Zaharia, Andrada Balea, Ilinca Manolache, Șerban Pavlu, Alexandru Dabija, Lukas Miko.

Cena de "Dracula", de Radu Jude (divulgação/RT Features)
Cena de "Dracula", de Radu Jude (divulgação/RT Features)
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