GOAT critica a violência e a obstinação por vencer exaltadas no futebol americano, e faz isso através de uma analogia exacerbada, fantástica e sangrenta. A estratégia é sensibilizar o público chocando-o com situações extremas.
Este é o segundo longa do diretor Justin Tipping, mais atuante em séries do que em filmes. Talvez por isso tente manter a tensão no pico durante todos os 96 minutos de GOAT, ao invés de construir a dinâmica necessária para deixar o espectador sempre atento. A ausência da devida dosagem de emoções cansa, e o público se desliga da narrativa em vários trechos.
A trama acompanha o promissor quarterback Cameron Cade (Tyriq Withers) durante o treinamento que recebe do seu ídolo, o GOAT (“greatest of all times”, ou “o melhor de todos os tempos”) Isaiah White (Marlon Wayans). Se tudo der certo, e ele provar que tem condições, Cameron será o substituto de Isaiah no time do Saviors.
Esse processo logo leva à metáfora do fantástico. Aparições diversas de pessoas vestidas e maquiadas como praticantes de rituais primitivos surgem diante de Cameron, com ameaças de agressão que, às vezes, se concretizam. O próprio treinamento se torna exageradamente irreal, como aquele que impõe uma tortura toda vez que Cameron não consegue fazer o lançamento correto. Enquanto isso, Isaiah martela que o seu candidato a sucessor não pode ter sentimentos além do foco no futebol. Por isso, quando Cameron nocauteia perigosamente um oponente com uma cabeçada, o mentor e os demais jogadores comemoram.
Imagens que impactam
Tudo parece um enorme pesadelo sem fim. Cameron titubeia, pensa que não vai aguentar mais esse sofrimento. Um plano mostra o seu rosto com umas luzes atrás que se assemelham a uma coroa de espinhos. Desconfiando do poder de percepção do espectador, o diretor Justin Tipping em seguida insere um outro plano com o jovem quarterback na posição central em uma mesa que imita a Santa Ceia. E, além disso, cita literalmente Jesus no diálogo com o médico.
Antes disso, vários trechos mostram os jogadores como se fossem vistos através de um raio-X. Ou seja, revelando os seus ossos, o que impressiona por evidenciar o efeito dos golpes quando eles se chocam no campo.
Justin Tipping faz questão de criar imagens impactantes para esse pesadelo. Com isso, transforma o seu longa em um videoclipe de uma hora e meia. A narrativa fica em terceiro plano, atrás da narrativa e do arco do protagonista, que passa por um dilema mal construído no filme. Ele não parece, de fato, ter dúvidas entre seguir ou desistir no treinamento. O desfecho repleto de violência gráfica, porém, confunde ao invés de esclarecer. Seus ataques impiedosos indicam que ele perdeu sua humanidade, caso contrário não seria tão violento. Por outro lado, desprovido de seu lado humano, ele estaria apto a assumir a vaga de Isaiah. Esse final duvidoso aponta, em suma, o maior defeito do filme: priorizar demais a criação de imagens impactantes.
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Ficha técnica:
GOAT | Him | 2025 | 96 min. | EUA | Direção: Justin Tipping | Roteiro: Zack Akers, Skip Bronkie, Justin Tipping | Elenco: Tyriq Withers, Marlon Wayans, Julia Fox, Naomi Grossman, Tim Heidecker, Jim Jefferies, Maurice Greene, Guapdad 4000, Tierra Whack.
Distribuição: Universal Pictures.
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