Hokum – O Pesadelo da Bruxa

Título original: Hokum

Direção: Damian Mc Carthy

Ano de lançamento: 2026

Data de estreia no Brasil: 21/05/2026

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 7/10

Hokum – O Pesadelo da Bruxa comprova a capacidade que tem o diretor e roteirista Damian Mc Carthy de criar um terror denso, talento que ele demonstrou em seu longa anterior, Oddity – Objetos Obscuros (2024). Desta vez, adentra o terror psicológico, com um final aberto (os eventos aconteceram ou foram alucinações?) muito raro no cinema contemporâneo preocupado em entregar tudo mastigado para o espectador.

Outra característica incomum é contar com um protagonista antipático. Ohm Bauman (Adam Scott) é um escritor de sucesso. Com habilidade, Damian Mc Carthy comunica essa condição sem precisar expressá-la verbalmente. Mostra um anúncio da “Trilogia do Conquistador” do protagonista e seu apartamento de luxo. Além disso, parece ser um autor de talento, pois o prólogo do filme, que revela ser a eletrizante reprodução (em sua imaginação) do final da nova aventura desse personagem da Era dos Descobrimentos que ele criou, termina com um cliffhanger que soa arrepiante – embora brutal demais. Dá até vontade de ver uma adaptação desse livro fictício!

Porém, essa fama e fortuna transformou Ohm numa pessoa intragável. Ele viaja até o interior da Irlanda para jogar as cinzas de seus pais falecidos nessa região onde passaram uma feliz lua-de-mel. Mas, chegando no hotel, logo Ohm revela ser intrometido e grosseiro, um arrogante que se sente superior aos demais. Trata mal todo mundo, não só os funcionários como até o dono do hotel. Ele só não consegue destratar Fiona (Florence Ordesh), que trabalha no hotel e o desarma na primeira conversa, e Jerry (David Wilmot), um ermitão da floresta sob efeito de cogumelos.

Trauma de infância

Sobra para o mensageiro Alby (Will O’Connell), aspirante a escritor que vira alvo fácil dos maus tratos de Ohm. Sua história sobre quando viu a bruxa que está no quarto de núpcias, que está sempre trancado, aparece para o espectador na forma de um dos jump scares que o filme apresenta com eficiência. É importante notar que Ohm vê uma aparição em seu próprio apartamento, antes de viajar para a Irlanda, o que diz bastante sobre a dúvida levantada no final do filme.

A incerteza sobre o que é real e o que é imaginação fomenta o enredo e como ele é filmado. Os modos grosseiros do protagonista, assim como o seu sucesso, podem ser apenas uma proteção contra a culpa que o atormenta pela morte da sua mãe. Por esse motivo, uma assombração aparece em seu apartamento. O trauma justifica também o uso do preto e branco e da granulação no flashback que revela o que aconteceu em sua infância quando ela morreu. E, também, seus pesadelos que envolvem o fantasma da mãe. Inclui-se aí um assustador programa de TV que carrega todo o surrealismo que só existe no universo onírico.

Crime real e sobrenatural/imaginação

Hokum – O Pesadelo da Bruxa se destaca, além disso, por combinar crime real com o sobrenatural (ou imaginação). Nesse sentido, recorre ao found footage adaptando-o para uma gravação em áudio no aparelho que o protagonista usa para guardar ideias sobre seus livros. Através desse gravador, ele pode ouvir a vítima descrevendo seus momentos de agonia. Esse gancho motiva a mostrar o que acontece com ela – sequência que pode ser uma informação que coloca o espectador à frente do protagonista, ou somente o que este imagina.

Além da atmosfera sombria, Hokum – O Pesadelo da Bruxa oferece também um forte suspense. Nesse quesito, se destaca o uso das engenhocas mecânicas, tanto o relógio que aciona o elevador como a campainha primitiva que usa sinos. O clímax, no entanto, decepciona um pouco, porque não consegue aumentar o horror nas aparições sobrenaturais, e o incêndio direciona para uma cena de ação, já desprezando a intenção de assustar. Um orçamento maior poderia ter ajudado bastante a evitar esse revés.

De qualquer forma, tanto Oddity quanto Hokum revelam um cineasta com muitos recursos, capaz de realizar um terror inteligente. Dá para esperar muita coisa boa ainda por vir de Damian Mc Carthy.

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Ficha técnica:

Hokum: O Pesadelo da Bruxa | Hokum | 2026 | 101 min. | Irlanda, Emirados Árabes Unidos, EUA | Direção: Damian Mc Carthy | Roteiro: Damian Mc Carthy | Elenco: Adam Scott, David Wilmot, Austin Amelio, Florence Ordesh, Peter Coonan,Will O’Connell, Michael Patric, Brendan Conroy, Ezra Carlisle.

Distribuição: Diamond Films.

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