A incrível história do sobrevivente de guerra Louis Zamperini está repleta de fatos extraordinários. A escritora Laura Hillenbrand explora-os em seu livro “Invencível: Uma história real de coragem, sobrevivência e redenção”. E Angelina Jolie adapta o romance para as telas em Invencível, seu terceiro filme como diretora.
Zamperini (interpretado por Jack O’Connell) foi um atleta americano que competiu nas Olimpíadas de 1936, na corrida de 5 km. Na guerra, quase morreu a bordo de um avião bombardeiro atingido pelos inimigos. Logo depois, em uma missão de resgate, ele e mais dois colegas ficam à deriva no oceano por 47 dias, até serem capturados pelos japoneses. No campo de prisioneiros Omori, em Tóquio, Zamperini vira o alvo preferido dos abusos sádicos do comandante local, Mutsuhiro Watanabe (Miyavi).
Ele tem a oportunidade de viver com privilégios fora do campo de prisioneiros, mas teria que fazer propaganda antiamericana em programas de rádio e ele recusa a oferta. Ao retornar, Watanabe ordena que cada um dos mais de cem prisioneiros deem um soco nele. Em outro campo, ele novamente encontra Watanabe, que o obriga a sustentar uma pesada barra de madeira. Se ele deixar a barra cair, tomará um tiro. E Zamperini derrota o seu agressor psicologicamente, ao aguentar o desafio por várias horas.
A sucessão de terríveis eventos que Zamperini superou o transformam num mártir que passa por essas provações para, no final, cumprir uma promessa e se converter ao cristianismo. Pelo menos, esta é a impressão que o filme deixa, porque desfila tantos acontecimentos agonizantes em pouco mais de duas horas. A leitura do livro permite um espaçamento maior entre os fatos, o que pode afastar essa sensação.
Um herói patriota e cristão
O filme não consegue provocar a comoção que esses eventos causariam se não fossem tão numerosos. A rapidez com que o avião atingido consegue solucionar a sua improvável aterrisagem indica essa pressa em resolver logo esse trecho para pular para o seguinte. A situação dos botes à deriva, então, soa superficial demais, sem mostrar o quanto os três jovens sofreram com o sol, a sede e a fome. Qualquer disaster movie B expõe essas aflições com mais impacto.
Da mesma forma, o filme não consegue desenvolver a rivalidade entre Zamperini e Watanabe. Embora traga vários exemplos de abuso de poder em castigos sádicos, falta explicitar a ódio entre eles. Para começar, não se sabe por que o americano desagrada tanto ao comandante japonês. E a resiliência impassível de Zamperini deixa escancarada a busca pela construção do personagem mártir tão caro ao cristianismo – daí o clímax com o gesto quase similar à crucificação. As extensas informações escritas na tela no final do filme contribuem para essa desconfiança.
Diante dessa abordagem, por mais que Invencível possa ser baseado em fatos reais, fica até difícil acreditar que tudo isso aconteceu e nessa intensidade, resultado da intenção de construir um herói patriota e cristão.
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Ficha técnica:
Invencível | Unbroken | 2014 | 137 min. | Estados Unidos | Direção: Angelina Jolie | Roteiro: Joel Coen, Ethan Coen, Richard LaGravenese, William Nicholson | Elenco: Jack O’Connell, Domhnall Gleeson, Garrett Hedlund, Miyavi, Finn Wittrock, Jai Courtney, Maddalena Ischiale, Vincenzo Amato, John Magaro, Luke Treadaway, Alex Russell.
Distribuição: Universal Pictures Brasil



