Letras da Morte

Título original: Hangman

Direção: Johnny Martin

Ano de lançamento: 2017

Data de estreia no Brasil: 22/02/2018

Gênero: ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 6/10

Letras da Morte prenuncia o rumo que a carreira de Al Pacino tomaria posteriormente, ou seja, de realizar filmes menores em grande quantidade. Isso não aconteceu em 2017, mas em 2025 foram lançados cinco filmes com ele no elenco. Só um deles estreou em nossos cinemas, o fraco O Ritual, de David Midell.

Essa suspeita fica mais forte porque o diretor de Letras da Morte é Johnny Martin, que costuma fazer filmes nesse esquema. Por sinal, antes deste ele dirigiu Uma História de Vingança (2017), com Nicholas Cage, outro habitué deste tipo de trabalho industrial.

Para sorte de Pacino, o diretor Martin estava inspirado. Filma boas cenas de perseguição: uma logo no início, envolvendo carros, e outra a pé. Ambas as sequências possuem uma montagem propositalmente caótica, que combina com o enredo de mistério.

Pacino interpreta o detetive recém-aposentado Ray Archer, que resolve ajudar seu colega ainda na ativa Will Ruiney (Karl Urban) a investigar assassinatos cometidos por um serial killer. Esse psicopata provoca os policiais desafiando-os a desvendar uma palavra-chave. Como num jogo de forca, ele revela uma das letras do enigma a cada crime, mediante o macabro modus operandi de talhar a letra no corpo da vítima.

O filme consegue transmitir um tom sombrio. Além das mortes violentas, contribui para esse clima a música sinistra e vertiginosa muito intensa, que faz lembrar aqueles casos policiais contados no programa Fantástico nos anos 1980. O suspense cresce porque o assassino faz uma vítima a cada 24 horas, sempre às 11 horas da noite. Quanto a isso, o diretor Johnny Martin poderia ser mais sutil e não estampar o horário sobre a tela, o que distrai o espectador que deveria permanecer imerso na história.

A forma e o conteúdo

O maneirismo de Martin funciona melhor nas várias cenas em que os personagens se espantam com alguma coisa, e ficam olhando por um tempo estendido, porque o filme segura a revelação para deixar o espectador angustiado. O uso desse recurso é um pouco além da conta, mas ainda assim é uma característica positiva. Mostra que o diretor estava pensando sobre como filmar as cenas do roteiro, e não executando tudo de forma automática.

No entanto, a trama não ajuda. Após uma primeira metade muito tensa e envolvente, o filme começa a ficar desinteressante. A personagem da repórter, Christi Davies (Brittany Snow), parece não ter nenhuma função narrativa. As conexões entre as vítimas ficam cada vez mais soltas, e a revelação do mistério não satisfaz.

Letras da Morte tem seus bons momentos, concentrados na primeira metade. Mas, perde a força até se esvaziar na parte final. Considerando a carreira de cada um, é acima da média para Johnny Martin e abaixo para Al Pacino.  

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Ficha técnica:

Letras da Morte | Hangman | 2017 | 98 minutos | Estados Unidos | Direção: Johnny Martin | Roteiro: Michael Caissie, Charles Huttinger | Elenco: Al Pacino, Karl Urban, Brittany Snow, Joe Anderson, Sarah Shahi, Sloane Warren.

Onde assistir:
Brittany Snow e Al Pacino em "Letras da Morte"

Outras críticas:

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