Manual Prático da Vingança Lucrativa estreia nos cinemas com esse título difícil de lembrar e que pretende ser mais chamativo que o original (“How to Make a Killing”). É o segundo longa do diretor e roteirista John Patton Ford, que novamente trabalha o tema do crime com um protagonista conhecido no elenco – ele fez antes Emily, A Criminosa (2022), com Aubrey Plaza no papel principal. Há uma diferença crucial no tom dos dois filmes. Desta vez, impera o humor sombrio.
O ritmo acelerado já coloca o personagem Becket Redfellow (Glen Powell) em maus lençóis na primeira cena. Ele está na prisão aguardando a sua execução, que está marcada para dali a quatro horas. Um padre chega para ouvir a sua última confissão, e essa é a deixa para ele contar a sua história em flashback.
Expulsa
Mary (Nell Williams), a mãe de Becket, nasceu na bilionária família Redfellow. Mas, ficou grávida do namorado aos 18 anos e se recusou a abortar. Então, o seu impiedoso pai Whitelaw (Ed Harris) a expulsou da família. O namorado morre logo após o parto, e Mary precisa criar seu filho Becket sozinha, sem nenhuma ajuda da família, nem mesmo quando ela adoece e morre. Como se não bastasse, Whitelaw ainda proíbe que ela seja sepultada no mausoléu dos Redfellow. Portanto, Becket tem motivos suficientes para odiar seus parentes.
Porém, há um detalhe essencial que move o enredo: Mary foi expulsa da família, mas não excluída da herança. Portanto, Becket faz parte da linha sucessória da enorme riqueza dos Redfellow. Só que precisa ter paciência, pois na frente dele estão outros sete herdeiros. O filme faz questão de enfatizar que ele é uma pessoa essencialmente boa, por isso, ganha a vida trabalhando como qualquer um, sem se preocupar com a herança. Até que, num encontro aparamente casual na loja onde trabalha, Becket ouve de Julia (Margaret Qualley), sua antiga paixão da escola, a provocação para ele procurá-la quando matar os demais herdeiros. E essa frase, aparentemente uma brincadeira, acaba por despertar a sinistra ideia de acelerar a sucessão.
As execuções
O núcleo de Manual Prático da Vingança Lucrativa, assim, se concentra nesse processo de eliminação de herdeiros por Becket. O roteiro evita que o filme se afunde numa apresentação esquemática de assassinatos ao colocar diferentes dinâmicas para cada caso. Algumas das vítimas são presas fáceis por conta de suas vidas loucas. Essas só servem para ilustrar que matar não é tão difícil. Contudo, alguns parentes levam a uma relação mais pessoal. Entre eles, o tio que lhe abre oportunidades profissionais no mercado financeiro. E a namorada – Ruth (Jessica Henwick) – de um primo que se torna a representação do amor verdadeiro na vida de Becket.
Apesar do humor que envolve toda essa situação fantasiosa, o filme não vira deboche. Os assassinatos, até os mais fáceis, são sérios, e não resultam de trapalhadas. A maior parte deles é executada a partir de um mínimo de planejamento, geralmente envolvendo reações químicas e envenenamento. Essa opção acertada contribui para que o espectador se envolva na história, inclusive torcendo pelo protagonista amoral e psicótico, porque, afinal, ele tem seu lado bom. Mas, virou joguete nas mãos de uma femme fatale calculista e impiedosa, que no final consegue tudo o que sempre quis. O filme derrapa na correria do confronto entre Becket e Whitelaw, um forçado trecho de ação, mas no geral é bem envolvente.
___________________________________________
Ficha técnica:
Manual Prático da Vingança Lucrativa | How to Make a Killing | 2026 | 105 min. | Reino Unido, França, Estados Unidos | Direção: John Patton Ford | Roteiro: John Patton Ford | Elenco: Glen Powell, Margaret Qualley, Ed Harris, Jessica Henwick, Zach Woods, Topher Grace, Nell Williams, Bill Camp, Raff Law, Bianca Amato, Sean Cameron Michael.
Distribuição: Diamond Films.



