Me Ame com Ternura

Título original: Love Me Tender

Direção: Anna Cazenave Cambet

Ano de lançamento: 2025

Data de estreia no Brasil: 03/02/2025

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 5,5/10

Algumas semanas após a estreia de Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria (2025), chega aos cinemas brasileiros outro drama sobre maternidade. Mas, com uma perspectiva muito diferente. Em Me Ame com Ternura, a mãe – Clémence Delcourt (Vicky Krieps) – precisa lutar pelo direito de ver o seu filho. É o preço que ela paga por não ser uma mulher convencional segundo os padrões conservadores da sociedade.

A primeira sequência do filme apresenta a personagem. Ela treina natação e, no vestiário, transa com uma mulher. Na rua, atende uma vídeo-chamada e fala com o marido Laurent (Antoine Reinartz) e o filho pequeno. O trecho testa a reação do público, induzindo a julgá-la como uma hipócrita, por trair o marido e logo depois conversar naturalmente com ele e o filho. Contudo, é só uma provocação da diretora Anna Cazenave Cambet, que realiza aqui seu segundo longa, baseado no livro de Constance Debré. Porque, em seguida, uma narração em primeira pessoa de Clémence esclarece: há um ano ela se separou do marido, mas eles ainda não formalizaram o divórcio.

Essa situação mal resolvida parece dar certo para o ex-casal. Porém, depois que Clémence conta a Laurent que está saindo com garotas, o comportamento dele muda. Logo, ele passa a dificultar que a mãe veja o filho, além de influenciá-lo a ficar contra ela.

O processo

Meses depois, o pior acontece. Numa cena bem construída, em plano único sem cortes e com muita movimentação da câmera (que vai da mesa do restaurante até um plano geral de uma praça vista do alto), Clémence se esforça para não esboçar sua tristeza ao receber o telefonema que revela que o marido entrou com pedido de guarda unilateral do filho. O motivo parece absurdo, incesto e pedofilia, mas o filme erroneamente coloca essa questão em dúvida, na narração em que ela afirma estar evitando crianças. Certamente, para evitar a lembrança do filho que ela não pode mais ver, mas a construção dessa sequência deixa aberta outras hipóteses.

No fundo, o que complica de verdade a situação dela perante o juiz (que não aparece no filme, indicando que simboliza a maioria que tem tendência conservadora) reside no fato de ela ter saído de casa, o que uma mãe não faz, segundo essa visão retrógrada. Além disso, pesa ainda o preconceito por ela se relacionar agora com outras mulheres.

Enfim, Clémence não tem outra alternativa a não ser seguir o processo, demorado e com duvidosas chances de êxito. Começa com encontros assistidos de apenas uma hora, depois se flexibiliza até um dia inteiro só a mãe e o filho. Porém, a insensatez de Laurent cresce, suas atitudes ficam mais intolerantes e agressivas, reduzindo cada vez mais a esperança de Clémence.

Frieza

Exceto na citada sequência em plano único, a atuação de Vicky Krieps parece evitar intencionalmente a empatia do público com sua personagem. Até mesmo quando Clémence dança com uma paquera num bar, ela demonstra uma expressão de desgosto. Além disso, parece fria e calculista quando termina seus relacionamentos, tanto com a mocinha mais jovem (Tallulah Cassavetti) quanto com a mulher mais madura (Monia Chokri).

A atriz segue o roteiro e a direção, que levam a uma impressão errada ao pesar demais a mão para mostrar que a atitude do marido arruinou a vida da protagonista. Sufocada por essa luta, Clémence abdicou de ser mãe e de ser mulher. Não viu mais o filho e seus relacionamentos naufragaram.

Mas, Me Ame com Ternura se preocupa demais em não ser emocionalmente apelativo. Com isso, pende demais para o extremo oposto, resultando num melodrama gelado que não consegue envolver.

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Ficha técnica:

Me Ame com Ternura | Love Me Tender | 2025 | 133 min. | França | Direção: Anna Cazenave Cambet | Roteiro: Anna Cazenave Cambet | Elenco: Vicky Krieps, Antoine Reinartz, Monia Chokri, Clotilde Courau, Viggo Ferreira-Redier, Féodor Atkine, Ji-Min Park, Aurélia Petit, Salif Cissé, Tallulah Cassavetti, Julien de Saint-Jean, Jean-Baptiste Durand.

Distribuição: Imovision.

Trailer:

Onde assistir:
Vicky Kriets e Monia Chokri em "Me Ame com Ternura" (divulgação/Imovision)

Outras críticas:

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