O game Mortal Kombat gerou duas adaptações live action para o cinema lançadas em 1995 e 1997, dirigidas por Paul W. S. Anderson e John R. Leonetti, respectivamente. Este novo reboot produzido por James Wan leva o filme para um tom sombrio e violento, características que marcavam o próprio material original do jogo.
Este filme também se destaca pelas cenas de ação com forte influência do cinema de artes marciais. O prólogo, inclusive, se passa no Japão de 1617, revelando a origem da rivalidade entre os clãs Shirai Ryu e Lin Kuei. Nessa sequência, Bi-Han (Joe Taslim), líder do Lin Kuei, assassina a esposa e o filho de Hanzo Hasashi (Hiroyuki Sanada), líder do Shirai Ryu. O elemento fantástico presente já nessa abertura diferencia o longa das típicas aventuras de kung fu. Bi-Han possui o superpoder do gelo, e a alma de Hanzo vai parar no Submundo ao final do confronto. Além disso, surge o Lord Raiden, o Deus do Trovão, que resgata o filho de Hanzo que estava escondido.
Em busca do seu arcana
A trama principal começa na Chicago de hoje. O lutador de MMA Cole Young (Lewis Tan) descobre que é descendente de Hanzo, por isso possui a marca de dragão em sua pele desde que nasceu. Sem saber nada sobre seus ancestrais, Cole é uma peça fundamental para formar uma equipe capaz de evitar a décima vitória consecutiva da Exoterra que, assim, conquistaria a Terra.
Ao lado de Cole, se juntam Sonya Blade (Jessica McNamee) e Kano (Josh Lawson), que serão treinados no templo de Lord Raiden por Liu Kang (Ludi Lin) e Kung Lao (Max Huang) para enfrentar o grupo inimigo. Companheiro de Sonya nas Forças Especias, Jax Briggs (Mehcad Brooks) retorna com braços mecânicos depois de perder os braços numa luta contra Sub-Zero na parte inicial do filme. A equipe rival conta com Bi-Han, Shang Tsung (Chin Han) e Mileena (Sisi Stringer).
O treinamento busca empolgar com a busca do arcana (o poder especial diferenciado de cada lutador), que só desperta em uma situação extrema. Com isso o roteiro aproveita para instigar a curiosidade do espectador e do personagem a respeito de qual poder cada um terá.
Nem tudo funciona
Por causa da preocupação de James Wan em selecionar um elenco especializado em cenas de ação, especialmente em lutas marciais, as cenas de combate são muito boas. Até os elementos fantásticos funcionam, pois os efeitos visuais convencem, com exceção da materialização do Syzoth, o personagem com aparência de réptil. O gigante de quatro braços Goro feito em computação gráfica possui uma aparência manjada. Lembra um pouco o Hulk, o que desperta uma aproximação do filme como um todo com os filmes dos Vingadores (grupos de super-heróis reunidos para salvar a Terra). A atuação de Jessica McNamee também é outro ponto negativo, sempre ostentando um sorriso falso durante as lutas.
Seguindo a tendência do cinema de ação e terror, Mortal Kombat aposta bastante no humor. Porém, aqui essa investida não dá muito certo. O erro está em concentrar as piadas no personagem Kano, um anti-herói pouco confiável que está sempre provocando os outros – um sujeito grosseiro e repugnante.
Mortal Kombat, de John R. Leonetti e James Wan, está acima da média desse subgênero das adaptações de games, que na maioria das vezes decepciona. Tem como ponto forte as cenas de ação, mas seus personagens não são cativantes. Como promete o seu desfecho, terá uma sequência em 2026.
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Ficha técnica:
Mortal Kombat | 2021 | EUA | 110 min. | Direção: Simon McQuoid | Roteiro: Greg Russo, Dave Callaham | Elenco: Lewis Tan, Jessica McNamee, Josh Lawson, Joe Taslim, Mehcad Brooks, Matilda Kimber, Laura Brent, Tadanobu Asano, Hiroyuki Sanada.
Distribuição: Warner.








