Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras

Poster de "Munch Amor, Fantasmas e Vampiras" (crédito: Autoral Filmes)

Título original: Munch: Love, Ghosts and Lady Vampires

Direção: Michelle Mally

Ano de lançamento: 2022

Data de estreia no Brasil: 11/12/2025

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 7/10

O documentário italiano Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras revela ao grande público o pintor Edvard Munch (1863-1944), geralmente conhecido apenas por sua obra “O Grito”. O filme, lançado em 2022, aproveita a inauguração do museu com seu nome em Oslo, um ano antes. O arranha-céu reúne 28 mil obras de arte, incluindo pinturas, gravuras, desenhos, cadernos, esboços, fotografias e seus experimentos com cinema.

A primeira cena do filme traz a atriz Ingrid Bolsø Berdal na casa do norueguês Edvard Munch em Åsgårdstrand. Ela lê um conto de fadas local, para indicar a influência fantástica que marcaria a arte do pintor. Ingrid Bolsø Berdal conduz a narrativa do documentário, facilitando e injetando emoção na experiência do espectador. Dessa forma, evita que os depoimentos de depoimentos de artistas, curadores e historiadores se tornem massivos.

Com direção de Michele Mally, Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras acompanha cronologicamente a vida do pintor. Parte de sua dura infância na Oslo transitando entre as eras medieval e industrial. Sua primeira obra, “A criança doente”, aponta uma obsessão com a morte e com as pessoas do sexo feminino que acompanhariam toda a sua carreira. As pinturas tinham o valor de um registro fotográfico para Munch. Por isso, quando vendia um quadro, fazia uma cópia dela para si mesmo.

Ao buscar um amplo arcabouço do que acontecia ao redor de Munch, para assim explicar não só o seu lado artístico como também o humano, o documentário cai em algumas digressões que se afastam demais do assunto principal. Por exemplo, quando desvia para “Uma Casa de Bonecas”, de Henrik Ibsen. Munch conhecia o dramaturgo, mas o filme não precisava mostrar imagens de adaptações da peça. Da mesma forma, a exposição de quadros de outros artistas pode confundir o espectador.

A vida e as obras

A força do documentário, afinal, se concentra nas análises e interpretações das obras de Munch, bem como no contexto pessoal em que elas foram criadas. Nesse sentido, não poderia faltar o episódio sobre “O Grito”, inspirada a partir da visita à irmã esquizofrênica internada num hospício. Some-se a isso a direção caprichada de Michele Mally, tanto na escolha dos materiais ilustrativos como na fotografia belíssima de Marco Alfieri e Mateusz Stolecki.

Esses segmentos com explicações dos especialistas, combinados com a narração dramática da atriz e a bela direção, fazem de Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras um documentário acima da média. Se não fossem as digressões, seria ainda melhor.

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Ficha técnica:

Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras | Munch: Love, Ghosts and Lady Vampires | 2022 | 90 min. | Itália | Direção: Michele Mally | Roteiro: Arianna Marelli, Michele Mally | Com Ingrid Bolsø Berdal, Leif Ove Andsnes, Giulia Bartrum, Øivind Lorentz Storm Bjerke, Elio Grazioli, Stein Olav Henrichsen, Erik Höök, Iver Kleive, Siri Kval Ødegård, Carl-Johan Olsson, Sue Prideaux, Frode Sandvik, Linn Solheim, Jon-Ove Steihaug e Gunnhild Øyehaug.

Distribuição: Autoral Filmes.

Trailer:

Munch Amor, Fantasmas e Vampiras - Ingrid Bolsø Berdal - crédito Autoral Filmes
Ingrid Bolsø Berdal em "Munch Amor, Fantasmas e Vampiras" (crédito: Autoral Filmes)

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