Nosso Herói, Balthazar

Jaeden Martell em "Nosso Herói, Balthazar" (divulgação/49ª Mostra)

Título original: Our Hero, Balthazar

Direção: Oscar Boyson

Ano de lançamento: 2025

Gênero: ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 6/10

Nosso Herói, Balthazar e Rosemead, dois filmes que estão na programação da 49ª Mostra, tratam do medo da violência dos atiradores em massa que aterrorizam os Estados Unidos. Ambos acompanham um personagem que tenta evitar um possível massacre, mas com intenções bem diferentes. Em Rosemead, de Eric Lin, Lucy Liu interpreta uma mãe que desconfia que seu filho trama um ataque à sua escola. Já em Nosso Herói, Balthazar, de Oscar Boyson, Jaeden Martell vive um garoto mimado filho de pai milionário que brinca com o perigo nas redes sociais.

Esse rapaz, que está no último ano do ensino médio, costuma postar vídeos curtos nas redes sociais fingindo desespero, chorando horrores, a fim de obter mais engajamento. Um recente atentado em massa a uma escola em outro estado, então, serve de assunto para ele publicar mais dessas reações falsas. Inadvertidamente, chama a atenção do perfil de uma pessoa que parece estar planejando um novo ataque. Mas, não vem nem de Balthazar a ideia de tentar impedir esse crime, e sim da garota da escola que ele conhece e quer conquistar.

Assim, para impressioná-la, toma um avião até o Texas para se encontrar com o suspeito, Salomon (Asa Butterfield). Esse personagem está tão perdido quanto Balthazar, mas por motivos opostos. Muito pobre, ele mora na casa da avó doente. Seu pai, um ex-condenado e ator de filmes pornôs, agora ganha dinheiro vendendo esquemas de pirâmide na venda de suplementos alimentares. E quer incluir o filho nessa trama, enganando-o.

Patéticos perigosos

Sem nenhuma estrutura, Salomon poderia realmente ser um assassino em massa. Possui armas de fogo clandestinas, que o pai lhe encargou de esconder, e ouve thrash metal (o velho clichê desse tipo de perfil). Além disso, não tem a mínima habilidade social sequer para trabalhar com uma colega numa loja de conveniência. Então, como faz Balthazar, também publica um monte de besteira nas redes sociais.

Os dois protagonistas são figuras patéticas, tão covardes que, por isso, podem se tornar realmente perigosos. Resultam da sociedade voltada para a violência, onde todo mundo pode adquirir armas com facilidade, como expressam as palavras da garota da escola por quem Balthazar está a fim, e que envelopam a crítica que move o enredo. A conclusão impacta, mas sem surpreender diante do desenvolvimento do filme, por estampar uma desesperança em relação ao futuro se depender de pessoas assim. Ao envolver a televisão, como meio que abraça as mentiras das redes sociais, o porvir parece ainda mais assustador.

Nosso Herói, Balthazar é o primeiro longa de Oscar Boyson, produtor envolvido com a turma do Mumblecore, os cineastas independentes norte-americanos como Noah Baumbach, Greta Gerwig e os irmãos Safdie. Essa influência marca bastante os protagonistas de moral duvidosa Balthazar e Salomon.

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Ficha técnica:

Nosso Herói, Balthazar | Our Hero, Balthazar | 2025 | 91 min. | EUA | Direção: Oscar Boyson | Roteiro: Ricky Camilleri, Oscar Boyson | Elenco: Jaeden Martell, Asa Butterfield, Noah Centineo, Jennifer Ehle, Becky Ann Baker, Chris Bauer, Pippa Knowles, Avan Jogia, Anna Baryshnikov.

Jaeden Martell em "Nosso Herói, Balthazar" (divulgação/49ª Mostra)
Jaeden Martell em "Nosso Herói, Balthazar" (divulgação/49ª Mostra)

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