O Bom Bandido (Roofman) se baseia na vida de Jeffrey Manchester, um ladrão diferenciado porque se preocupava com suas vítimas. Engenhoso, ele conseguiu roubar dezenas de restaurantes do McDonald’s sempre invadindo o local pelo teto, nos anos 1990. Por isso, ganhou o apelido de “roofman”.
O filme dirigido por Derek Cianfrance enfatiza a ideia de que Jeff era uma pessoa boa, mostrando-o com a primeira família, antes de ser pego pela polícia, e iniciando um romance após sua fuga da prisão.
Apesar de ser uma pessoa boa, depois que voltou da guerra Jeff nunca se adaptou a nenhum emprego e resolveu roubar para conseguir dar os presentes que seus filhos (a menina em especial, pois os outros dois eram bebês) queriam. O enredo aposta numa solução dramaticamente apelativa que cobre dois aniversários, um antes e outro depois da vida desonesta. Na verdade, ele não provia o sustento da família, o que levou ao divórcio. Há uma oculta crítica ao intervencionismo bélico dos Estados Unidos em outros países, pois o melhor amigo de Jeff, também um ex-combatente, igualmente optou pela vida desonesta. Porém, o filme prefere fugir de polêmicas.
Certamente, em O Bom Bandido, agradar ao público é o objetivo do diretor Derek Cianfrance. Conhecido por Namorados Para Sempre (Blue Valentine, 2010), O Lugar Onde Tudo Termina (The Place Beyond the Pines, 2012) e A Luz Entre os Oceanos (The Light Between Oceans, 2016), Cianfrance prepara o terreno para a criar empatia do público pelo protagonista. Sob uma trilha musical agradável, Jeff (Channing Tatum) planeja sua fuga, que carece de suspense porque tudo dá certo, e encontra o seu refúgio perfeito, uma filial da grande loja de brinquedos Toys”R”Us em Charlotte, Carolina do Norte.
Feito para agradar
A partir daí o filme vira uma comédia romântica. As piadas não se preocupam com os fatos biográficos e envolvem situações absurdas com Jeff se divertindo dentro da loja quando ela fecha as portas à noite. Por exemplo, de cuecas, ele imita os trejeitos de Tom Cruise em uma famosa cena de Negócio Arriscado (Risky Business, 1983). Aliás, o filme explora bastante o físico do ator Channing Tatum, que levanta e tira a camisa em algumas cenas e até exibe suas nádegas desnudas. Além disso, enche o protagonista com tanto charme que ele nem parece real, principalmente no brunch para solteiras onde ele conhece sua nova paixão Leigh Wainscott (Kirsten Dunst). Assim, não demora muito para Jeff conquistar Leigh e suas duas filhas, inclusive a de 17 anos que estava brigada com a mãe.
Como qualidade mais forte de O Bom Bandido se destaca a imagem granulada que o diretor de fotografia Andrij Parekh obtém usando lentes de 35mm para combinar com a época dos eventos. O elenco também está afiado. Channing Tatum e Kirsten Dunst formam um casal magnético, e as filhas de Leigh são adoravelmente interpretadas por Lily Collias (a mais velha) e Kennedy Moye.
Quanto à direção de Derek Cianfrance, peca por desperdiçar os momentos emocionantes, como a fuga da prisão. No clímax, por não ter mostrado um plano geral do exterior do apartamento de Leigh, cria uma distração indesejada quando Jeff chega com balões de gás, pois o público fica em dúvida sobre onde ele vai. O Bom Bandido deixa a impressão de ser agradável, mas até demais, pois essa intenção limou as oportunidades de empolgar.
___________________________________________
Ficha técnica:
O Bom Bandido | Roofman | 2025 | 126 min. | Direção: Derek Cianfrance | Roteiro: Derek Cianfrance, Kirt Gunn | Elenco: Channing Tatum, Kirsten Dunst, LaKeith Stanfield, Peter Dinklage, Juno Temple, Kirana Kuic, Gabriella Cila, Alissa Marie Pearson, Melonie Diaz.
Distribuição: Diamond Films.



