O Diabo Veste Prada 2

Título original: The Devil Wears Prada 2

Direção: David Frankel

Ano de lançamento: 2026

Data de estreia no Brasil: 30/04/2026

Gênero: ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 6/10

O Diabo Veste Prada 2 evidencia o quanto o mundo mudou em 20 anos. Principalmente no jornalismo, que agora se apresenta como o terceiro pé que sustenta a narrativa, que no primeiro O Diabo Veste Prada se apoiou nos mundos corporativo e da moda.

O filme original se sobressaiu como o conto de fadas americano do século 21, repetindo o que representou Uma Linda Mulher (1990) na derradeira década do século anterior. Nele, a protagonista Andy Sachs (Anne Hathaway), recém-formada e inexperiente, começa a trabalhar na prestigiosa revista de moda Runway, comandada pela exigente Miranda Priestley (Meryl Streep). Ela sofre nas mãos da chefe megera, mas aprende a vencer no mundo corporativo e a se vestir bem. Porém, no final percebe que ela não quer essa vida.

20 anos depois…

O início de O Diabo Veste Prada 2 poderia servir como um daqueles encerramentos de filmes que mostram o que aconteceu com os personagens no futuro. Pois bem, 20 anos depois, Andy se tornou uma premiada jornalista investigativa. Miranda continua sendo a temida editora-chefe da Runway, contando ainda com o apoio do seu braço-direito Nigel (Stanley Tucci). Já a sua assistente Emily, que fora superada por Andy no primeiro filme, progrediu muito profissionalmente e agora é uma executiva poderosa de um grupo de marcas famosas. Aliás, ela cresceu tanto quanto a atriz que a interpreta, Emily Blunt, o que deixa essa evolução até mais natural.

Porém, mudanças inesperadas reúnem esses personagens. Andy é demitida da revista onde trabalha, porque o jornalismo está em crise por conta da internet. A Runway, inclusive, já não tem mais edições impressas, apenas digitais. E seu prestígio fica abalado quando surge a escandalosa notícia de que a revista publicou uma reportagem elogiosa sobre uma empresa que explorava seus trabalhadores. Então, o dono da editora, Irv Ravitz (Tibor Feldman repetindo o seu papel), contrata Andy para escrever matérias sérias para proteger a revista. E as duas, junto com Nigel, se reúnem com Emily para implorar que seu grupo continue sendo a principal anunciante da Runway.

Um novo desafio

Os protagonistas continuam sendo os mesmos que eram no final do primeiro filme. Nesse quesito, a sequência se mostra consistente. Andy, apesar de não ter mais sua charmosa franjinha, é ainda a pessoa correta, que faz as coisas acontecerem, embora tenha dúvidas de si mesma – e por isso se entusiasma quando tudo dá certo. Miranda, como sempre, é a eficiência encarnada, mas maltrata e despreza os outros. Como sinal dos tempos, sua assistente Amari (Simone Ashley) está sempre a alertando quanto a violações do politicamente correto. O fiel Nigel segue esperando o reconhecimento de Miranda, enquanto novamente ajuda Andy. Por fim, Emily reforça a sua ganância carreirista, colocando dúvidas se o seu sucesso foi merecido. Sua mais recente jogada é namorar um bilionário da tecnologia.

O gatilho que coloca o enredo definitivamente em marcha é o mesmo do recente Socorro! (2026), de Sam Raimi, mas desenvolvido de forma menos interessante. O dono da editora morre e seu sucessor, Jay Ravits (B.J. Novak), possui ideias modernas de gestão, diferentes daquelas do seu pai. É um financista, quer cortar custos e vender a empresa. Portanto, nada confiável para os seus funcionários. Diante da perspectiva do fim da revista e da sua carreira, Miranda finalmente revela o seu lado vulnerável – Meryl Streep arrasa como sempre. Resta a ela uma última esperança: unir-se ao plano de Andy para salvar a Runway.

Mais business, menos fashion

Como se pode notar, desta vez o cerne da trama se concentra no mundo corporativo. Que, no filme anterior, estava presente na caracterização de Miranda como um exemplo do que um gestor moderno não pode ser. Aliás, eu mesmo, enquanto gestor de RH, usei a cena da entrevista de emprego com Andy num programa de formação de gestores, apontando todos os erros que Miranda comete. Nesta sequência, o recorte do ambiente empresarial é sobre a aquisição de empresas que provoca a extinção de vários empregos.

O mundo da moda, para decepção de seus apreciadores, agora aparece apenas como elemento ilustrativo. Apesar de os personagens vestirem uma rica variedade de figurinos de alta costura, desta vez as roupas não são cruciais para a narrativa. Por exemplo, no primeiro filme, o que Andy vestia contava muito sobre o que se passava com ela em seu íntimo. Analogamente, as cenas da segunda metade que acontecem num evento de gala da Runway em Milão (com a presença de várias personalidades do mundo fashion) dizem pouco para o enredo.

A conclusão do enredo não convence. Como num passe de mágica, a Runway se torna um negócio tão interessante para investidores financeiros, bastou uns telefonemas. A revista até volta a lançar edições impressas. Quando à mudança de Miranda, faz sentido, pois ela chegou bem perto do seu fim profissional. Já a personagem principal Andy não se transforma e nem alcança aquela vitória triunfal que a fez enxergar o seu potencial, mas sem manchar a sua ética. Não, desta vez a conclusão empolga bem menos.

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Ficha técnica:

O Diabo Veste Prada 2 | The Devil Wears Prada 2 | 2026 | EUA | Direção: David Frankel | Roteiro: Aline Brosh McKenna | Elenco: Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt, Stanley Tucci, Tracie Thoms, Tibor Feldman, Kenneth Branagh, Lucy Liu, Justin Theroux, B.J. Novak, Pauline Chalamet, Simone Ashley, Caleb Hearon, Conrad Ricamora, Helen J. Shen, Patrick Brammall, Rachel Bloom, Lady Gaga.

Distribuição: 20th Century Studios Brasil.

Trailer:

Onde assistir:
Anne Hathaway, Meryl Streep e Stanley Tucci em "O Diabo Veste Prada 2"

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