O Morro dos Ventos Uivantes

Título original: Wuthering Heights

Direção: Peter Kosminsky

Ano de lançamento: 1992

Data de estreia no Brasil: 15/01/1993

Gênero: , ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 6/10

A adaptação do livro O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë, lançada em 1992, contou com dois magníficos atores nos papéis principais. Juliette Binoche interpreta a protagonista Cathy e a sua filha Catherine; e Ralph Fiennes faz um assustador Heathcliff. Além disso, Ryuichi Sakamoto compôs a sua belíssima trilha musical. Porém, o filme tem direção do fraco Peter Kosminsky, que construiu sua carreira em trabalhos para a televisão.

Em participação não creditada, a cantora Sinéad O’Connor abre e fecha o filme encarnando a escritora Emily Brontë. Ela entra numa antiga mansão abandonada num campo em Yorkshire, na Inglaterra, e imagina a história de sua obra literária. Assim, ela começa a sua narração, que serve como uma abertura para a introdução da trama, que será contada em flashback, depois que o inquilino de Heathcliff lhe pede abrigo por uma noite porque se perdeu na tempestade. Esta adaptação mergulha fundo no aspecto sobrenatural do livro. Desta vez, o visitante e o espectador conseguem ver a aparição do fantasma de Cathy.

O flashback retrocede 30 anos a partir deste ponto, quando o Sr. Earnshaw volta de uma viagem a Liverpool trazendo um menino cigano que ele adota e chama de Heathcliff. O garoto se dá bem com a filha de Earnshaw, Cathy, mas o filho mais velho, Hindley, não o aceita como parte da família. Assim que o pai morre, Hindley assume o comando da propriedade e manda Heathcliff dormir no estábulo e trabalhar como um empregado. O tempo passa, e o filme mostra que Cathy e Heathcliff vivem agarrados um no outro. Entre os carinhos que trocam, rola até um selinho, mas nada mais íntimo. Aliás, esta versão não tem nenhuma cena de sexo.

O amor traído

As locações das filmagens, na região de Yorkshire, são um atrativo à parte. Impressiona o local que os britânicos chamam de “moor” – traduzido para o português como charneca, terreno onde cresce uma vegetação de arbustos e herbáceas. Mas, a paisagem no filme que chama a atenção é um campo coberto por pedras cinzas arredondadas, onde Cathy e Heathcliff costumam se encontrar.

Concretizando uma premonição ruim de Heathcliff, a situação até então harmoniosa começa a mudar drasticamente. Quando os dois protagonistas invadem a propriedade vizinha dos ricos Linton, Cathy é mordida pelos cães de guarda. Mas, reconhecida e recebida com gentileza por Edgar Lindon (Simon Shepherd, em atuação insípida), ela fica na casa por três meses. Heathcliff fica fulo da vida e recebe Cathy com aspereza. O clima fica ainda mais pesado com a morte da mulher de Hindley no parto.

Cathy passa cada vez mais tempo com Edgar, até que ele a pede em casamento. Em cena mal dirigida, ela conta para a empregada Ellen (Janet McTeer) que aceitou o pedido, apesar de seu verdadeiro amor ser Heathcliff, e ela não quer entristecê-lo. Mas, a má direção não revela se ele ouviu essa parte da conversa ou não. Quem conhece o enredo do livro sabe que ele não ouviu tudo, e por isso vai embora de Wuthering Heights.

Loucura

Heatcliff retorna depois de três anos, mudado – mais refinado e rico, apesar de o filme não conseguir expor essa transformação. Apesar disso, Cathy não quer terminar seu casamento e dá um beijo de despedida em Heathcliff. Até então, Heathcliff não fez nada de ruim, por isso, parece estranho que Cathy aconselhe sua cunhada Isabella Linton (Sophie Ward) a não se deixar seduzir por ele, pois ele é uma pessoa perigosa. Mas, de fato, após o casamento Isabella aparece com o rosto lesionado, sinalizando que Heathcliff a agride. Conclui-se que ele enlouqueceu ao descobrir que, mesmo depois de voltar rico e instruído, Cathy não o quer. Por seu lado, ela também entra numa depressão doentia, que a leva à morte, deixando uma filha, chamada Catherine.

A segunda parte do enredo continua a história dos herdeiros Catherine (também interpretada por Binoche), Hareton, o filho do finado Hindley, e Linton, fruto da união entre Heathcliff e Isabella. Todos sofrem com o ódio vingativo de Heathcliff. Ele atormenta Hareton para descontar o sofrimento que sofreu de Hindley. E força Catherine a se casar com Linton (que está morrendo) para assim herdar o patrimônio de Edgar. Heathcliff enlouquece de vez, exibindo comportamento sádico e mórbido, a ponto de desenterrar o corpo de Cathy. O sobrenatural se concretiza na tela, revelando o encontro dos amantes no plano espiritual.

Elenco e direção

Ralph Fiennes foi a escolha certa para representar esse personagem que começa com uma singeleza pura, mas se transforma numa pessoa agressiva e doentia. Só não evidencia a transformação entre o rapaz bruto e o homem refinado que retorna da sua viagem por falhas nos departamentos de figurino e maquiagem – e da direção. A francesa Juliette Binoche consegue diferenciar os dois papeis que interpreta, não só pelas diferentes cores de cabelos, mas pelas características distintas das personagens. E, de quebra, ainda se desdobra para interpretar suas falas com sotaque britânico.

O Morro dos Ventos Uivantes (1992), porém, não consegue ser um filme melhor por causa da direção de Peter Kosminsky. A história dessa relação de amor e ódio precisa de uma mise-en-scène que abrace essas nuances. A fotografia solar combina com os momentos felizes, porém, não é a melhor escolha para os trechos mais sombrios que, na verdade, predominam no filme. É o cacoete televisivo de Kosminsky que atrapalha.  

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Ficha técnica:

O Morro dos Ventos Uivantes | Wuthering Heights | 1992 | 105 min. | Reino Unido, Estados Unidos | Direção: Peter Kosminsky | Roteiro: Anne Devlin | Elenco: Juliette Binoche, Ralph Fiennes, Janet McTeer, Sophie Ward, Simon Shepherd, Jason Riddington, Jeremy Northam, John Woodvine

Distribuição: Paramount Pictures

Onde assistir:
Ralph Fiennes e Juliette Binoche em "O Morro dos Ventos Uivantes" (1992)

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