O Som da Queda

Poster de "O Som da Queda"

Título original: In Die Sonne Schauen

Direção: Mascha Schilinski

Ano de lançamento: 2025

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 8/10

O Som da Queda, segundo longa da diretora Mascha Schilinski, gera no espectador aquela sensação angustiante que os filmes de Andrei Tarkovsky costumam provocar. E que não necessariamente surge do que acontece na trama, pelo menos não de forma explícita.

Quatro meninas – Alma, Erika, Angelika e Lenka – moram numa mesma fazenda, em diferentes épocas. Misto da Zona de Stalker (1979) com as memórias de O Espelho (1975), elas observam e vivenciam o que acontece ao redor. As experiências, filmadas com fotografia escura, imagem granulada, formato de tela 4:3, planos longos e câmera móvel, oprimem. Morbidez e crueldade marcam presença. Membros da família morrem, ou sofrem as consequências de decisões baseadas numa racionalidade fria.

Os tempos e os personagens se misturam. Mesmo dentro de um segmento, eventos do passado entram durante o filme. Dessa forma, se descobre como o rapaz Fritz perde a perna, justamente porque havia um motivo calculado para isso. Mas, as mulheres são as que mais sofrem. Devem aceitar as decisões dos pais ou dos mais velhos. Seja para se transferir para outra fazenda como uma escrava, seja para se submeter aos abusos sexuais de um tio. Parece mesmo que só restam as soluções desesperadas para fugir disso tudo. A submissão leva ao comportamento da mãe que não sabe mais como se portar socialmente – ri quando não deve, não acha graça diante de brincadeiras.

Incômodo

Os padrões se repetem, não só na narrativa, mas também na forma. Reiteradamente, um som ruidoso cresce no fundo e parece aumentar gradativamente sufocando o ambiente. As protagonistas femininas, que puxam o espectador para junto de si ao assumirem o papel de narradoras, em algum momento olham para a câmera, como se fosse um apelo por ajuda. No epílogo, o vento que eleva as garotas surpreende tanto quanto o voo do menino em A Infância de Ivan (1962), assinalando novamente a proximidade com Tarkovsky.

Como o cineasta soviético, Mascha Schilinski causa estranhamento pela exposição de eventos que se acumulam no inconsciente do espectador. Este, após a sessão, compreende o que tanto o incomodou durante a experiência. No caso, a sucessão de atos cruéis num ambiente sempre mórbido. Ecos do berço do nazismo, como em A Fita Branca (2009), de Michael Haneke, não devem ser desprezados.

O Som da Queda está na programação da 49ª Mostra.

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Ficha técnica:

O Som da Queda | In Die Sonne Schauen | 2025 | 149 min. | Alemanha | Direção: Mascha Schilinski | Roteiro: Louise Peter, Mascha Schilinski | Elenco: Hanna Heckt, Luise Heyer, Lena Urzendowsky, Laeni Geiseler, Susanne Wuest, Lea Drinda, Florian Geißelmann, Greta Krämer.

Onde assistir:
"O Som da Queda" (divulgação/49ª Mostra/copyright: Fabian Gamper_StudioZentral )
"O Som da Queda" (divulgação/49ª Mostra/copyright: Fabian Gamper_StudioZentral )

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