One + One / Sympathy for the Devil

Título original: One + One

Direção: Jean-Luc Godard / Sympathy for the Devil

Ano de lançamento: 1968

Data de estreia no Brasil: 23/11/1970

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 8/10

One + One traz Jean-Luc Godard registrando os Rolling Stones no estúdio, lapidando a composição “Sympathy of the Devil” até encontrar a versão lançada que se tornou um hino da contracultura. O cineasta francês acentua esse lado político (presente nas letras da música: “I shouted out / ‘Who killed the Kennedys?’ / When after all / It was you and me.”) ao incluir segmentos encenados (retratando revolucionários negros na América e numa entrevista monossilábica a uma mulher que se chama Eva Democracia, por exemplo, além de comentários sociais como o esquete cômico numa loja de revistas pornográficas).

O título One + One carrega esse tema duplo (música e política), assim como chama a atenção para esses dois nomes essenciais para a contracultura (os Stones e Godard). O filme também tem uma versão dos produtores, lançada como The Rolling Stones: Sympathy for the Devil, ou simplesmente como Sympathy for the Devil, escolhas que apostam na popularidade da banda britânica, e que mostra a música inteira no final.

Stones

Para os fãs dos Stones, é uma oportunidade rara de acompanhar a evolução de uma composição desde suas primeiras ideias, passando pelas primeiras demos, até a versão final. E, no caso de “Sympathy for the Devil”, o processo é muito rico, porque as primeiras versões são bem diferentes daquela que foi lançada. Não havia ainda o marcante ritmo com as percussões, e as variações passaram por diferentes formações da banda. Numa das combinações, o baixista Bill Wyman está na percussão e o guitarrista Keith Richards no baixo. Além disso, o filme ainda registra Brian Jones em estúdio, antes de sua prematura morte em 1969.

Godard capta o som pelo microfone acoplado à câmera (ou algo assim), e não da mesa de som. Com isso, grava diferentes dinâmicas, enfatizando o instrumento mais perto do músico que a toca enquanto a câmera passeia pelo estúdio. Aliás, a câmera se movimenta bastante, o que também dá dinamismo a essa parte documental.

Como resultado, quando a banda encontra o groove ideal, a versão definitiva da música surge com uma força espantosa. Mick Jagger, entusiasmado com o resultado (ou sob influência de substâncias estimulantes), reflete essa empolgação ao mexer freneticamente as suas pernas enquanto canta. Quem já adora a música pode, neste filme, curti-la integrando esse elemento visual.

Godard

Por outro lado, Godard injeta a política à sua maneira igualmente rebelde. Faz uso da narração, e de encenações ou truques visuais. O tom é de sarcasmo, mas com a violência sempre à tona, assim como na música dos Stones. No som, Godard insere ruídos que atrapalham a audição dos diálogos, característica que seria marcante em sua filmografia.

One Plus One contém o espírito da época em que foi filmado, cujo público jovem empunhava suas bandeiras políticas embalado pela sua própria trilha musical. Godard traz o ingrediente do confronto que testemunhou nas rebeliões de Maio de 1968 na França, e que estava conectado com a postura dos Rolling Stones, a versão “suja” dos Beatles. Tinham muito em comum essas duas figuras emblemáticas do seu tempo, em suas respectivas artes.

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Ficha técnica:

One + One / Sympathy for the Devil | One + One | 1968 | 100 minutos | Reino Unido | Direção: Jean-Luc Godard | Roteiro: Jean-Luc Godard | Elenco: Mick Jagger, Keith Richards, Brian Jones, Charlie Watts, Bill Wyman, Sean Lynch, Anne Wiazemsky, Iain Quarrier, Frankie Dymon.

Onde assistir:
The Rolling Stones em "One + One"

Outras críticas:

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