Oxigênio

Oxigênio (filme)

Título original: Oxygène

Direção: Alexandre Aja

Ano de lançamento: 2021

Data de estreia no Brasil: 12/05/2021

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 6/10

O diretor Alexandre Aja despontou com o terror extremo francês de seu Alta Tensão (Haute Tension, 2003), e se especializou no gênero horror. Este Oxigênio, filme de Aja feito para a Netflix, é essencialmente uma ficção científica, mas com uma dose enorme de suspense. Na verdade, quem conhece o realizador até suspeita que assistirá a um torture porn, por causa dos efeitos estroboscópicos da abertura (que realmente perturbam) e dos closes acentuados que replicam para o espectador a agonia da claustrofobia que sofre a protagonista Elizabeth Hansen (Mélanie Laurent), ao despertar dentro de uma câmera criogênica.

O terror marca presença ainda em outros momentos pontuais. Por exemplo, nos rápidos flashes de Elizabeth imaginando-se agonizando pela falta de oxigênio. Também na mangueira com seringa de sedativo que parece ameaçadora como uma serpente. E no plano-sequência deslumbrante que revela a visão geral do complexo onde se encontra a câmera criogênica, porque começa com um jump scare do rosto desfigurado de um cadáver (e no final fecha com um super close no olho da protagonista).

Contudo, o que mais impacta é o suspense que Alexandre Aja constrói, principalmente na primeira metade do filme. Elizabeth desperta por causa de uma falha no sistema de criogenia. Não se lembra de nada, o que torna ainda mais angustiante tentar sobreviver, pois nem sabe quem é, nem onde e por que está ali. O clima tenso é constante, porque o tempo corre contra a personagem principal, já que o oxigênio está no nível de 34% e está baixando. Alguns flashbacks curtos pipocam na mente da protagonista, mas insuficientes para elucidar os mistérios aos seu redor.

Baixa tensão

Conforme o enredo avança, o suspense se deixa substituir aos poucos pelo drama e pela ficção-científica. O uso de variados planos reduz a sensação de claustrofobia. O que importa agora é descobrir as informações necessárias para Elizabeth sobreviver. Como elemento típico de uma sci-fi, o equipamento criogênico é comandado por um robô, no caso uma Inteligência Artificial, que se chama M.I.L.O. (voz de Mathieu Amalric). Então, a protagonista precisa fazer as perguntas certas para obter as respostas que precisa. Essa premissa, que hoje representa a melhor qualificação para quem trabalha com I.A., leva a uma indesejada verborragia que diminui o ritmo do filme e até o torna cansativo antes da revelação surpreendente do que está por trás de tudo.

Oxigênio, assim, começa com muita força, com um suspense tremendo e doses de terror. Mas, cai ao adentrar na ficção-científica, apesar de seu enredo inteligente. A divulgação dos segredos causa espanto, e surge visualmente através de um plano geral elucidativo de grande impacto, o que faz o filme terminar com uma percepção positiva por parte do espectador.

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Ficha técnica:

Oxigênio | Oxygène | 2021 | França, EUA | 100 min. | Direção: Alexandre Aja | Roteiro: Christie LeBlanc | Elenco: Mélanie Laurent, Malik Zidi, Laura Boujenah, Eric Herson-Macarel, Anie Balestra, Marc Saez, Mathieu Amalric.

Distribuição: Netflix.

Trailer:

Onde assistir:
Oxigênio (filme)
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Outras críticas:

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