Rede Tóxica

Título original: American Sweatshop

Direção: Uta Briesewitz

Ano de lançamento: 2025

Data de estreia no Brasil: 17/04/2026

Gênero: ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 3/10

Sem se definir sobre o que quer tratar, o filme Rede Tóxica é um exercício vazio.

Seu enredo acompanha Daisy (Lili Reinhart), uma aspirante a enfermeira que trabalha na Paladin para se sustentar. Essa empresa é o que o título original indica – “American Sweatshop”, ou seja, uma fábrica de exploração de mão-de-obra. Seus empregados são moderadores de conteúdo nas redes sociais. Eles assistem a vídeos denunciados por usuários e decidem se os deletam ou mantêm. Expostos a tanto material tóxico, quase todos apresentam, cedo ou tarde, problemas psicológicos.

Daisy fica especialmente perturbada ao ver um vídeo que mostra um homem assistindo a uma sessão de tortura, estupro e mutilação de uma moça amarrada numa mesa. Para ela, aprovar ou deletar esse conteúdo não parece ser o suficiente. Tenta denunciar para a empresa e para a polícia, mas não obtém nenhum respaldo. Então, decide ir sozinha atrás dos responsáveis.

A justiceira

Essa premissa de justiça com as próprias mãos com um assunto tão sinistro poderia render um thriller sombrio repleto e tenso. Porém, o filme está longe de alcançar esse patamar. Nas três cenas em que Daisy coloca o seu plano em ação, o suspense está ausente.

Primeiro, ela segue uma pista que alguém posta na deep web, atendendo a um apelo seu. Vai ao endereço do suspeito, segue-o até uma sala de cinema onde ele assiste a um filme de terror slasher – ingrediente sem criatividade e que não faz sentido porque a pista era falsa.

A segunda tentativa é tão confusa que, no final, nem confirma se o suspeito estava realmente envolvido na produção daquele vídeo perturbador. Neste trecho, Daisy finge estar interessada em participar de uma filmagem dessas. É chamada e ela aparece no estúdio. Um pedaço do sapato de couro do homem que aparece no vídeo é suficiente para ela identificá-lo. O ataque dela, porém, não vai resolver nada. E não acrescenta nenhuma emoção ao filme, pois ela não se coloca em situação de risco.

Na sequência final, o que devia ser uma surpresa logo é desperdiçado quando, ao girar a câmera em torno de um homem que conversa com Daisy, o corte impede que se veja o seu rosto. Como se não fosse suficiente, os planos seguintes continuam a esconder a identidade dessa pessoa. Na última tomada, a protagonista quebra a quarta parede e pisca com os dois olhos para o público, num desajeitado aceno em que parece sublinhar o quanto ela é esperta.

Ameaça dormente

O roteirista e a diretora do filme, respectivamente Matthew Nemeth e Uta Briesewitz, trabalham com séries há anos, mas esta é o primeiro filme deles. Não acertam nesse formato. Enfatizam demais a construção dos personagens – não só a protagonista como também os coadjuvantes. Isso funcionaria se o objetivo fosse denunciar esse tipo de empresa, mas não é o caso. Por outro lado, desprezam as situações com potencial para criar emoções. O suspense está ali na história, mas fica à espreita como o jacaré no lago em frente à Paladin, mais parado do que ameaçador, e ausente quando Daisy pisa nas margens e espia a água.

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Ficha técnica:

Rede Tóxica | American Sweatshop | 2025 | 94 min. | Estados Unidos, Alemanha | Direção: Uta Briesewitz | Roteiro: Matthew Aldrich | Elenco: Lili Reinhart, Daniela Melchior, Jeremy Ang Jones, Josh Whitehouse, Tim Plester, Christiane Paul, Joel Fry.

Distribuição: HBO Max.

Trailer original:

Onde assistir:
Jeremy Ang Jones e Lili Reinhart em "Rede Tóxica"

Outras críticas:

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