Com uma bagagem de mais de 50 anos como atriz, Gloria Pires estreia na direção em Sexa, comédia dramática que estreia dia 11 de dezembro nos cinemas. Ela mesmo interpreta Bárbara, a protagonista que mergulha numa crise existencial ao completar sessenta anos. Incapaz de aceitar o envelhecimento, ela refuta a comemoração entusiasmada da sua amiga e vizinha Cristina (Isabel Fillardis), que de manhã cedo chega com um bolo e uma vela. Porém, mais complicado é ela aturar os comentários grosseiros do seu filho de 33 anos Rodrigo (Danilo Mesquita), que exige que a mãe se comporte como uma sexagenária.
O roteiro acumula diversas situações conectadas, direta ou indiretamente, à personagem principal. Mas, o fio condutor é o relacionamento que Bárbara inicia com Davi (Thiago Martins), de 35 anos. A diferença de idade, apesar da paixão entre eles, gera muitos problemas – como a rejeição por parte de Rodrigo – além de outros obstáculos comuns aos filmes românticos, como o ciúme. Essa diversidade de situações, contudo, dilui a emoção dramática. Principalmente porque acompanha a perspectiva de vários personagens, o que impede que o público sinta as mesmas emoções que eles. Por exemplo, quando Bárbara vai conhecer os amigos ou a família do namorado, o espectador já sabe como eles são. E, além disso, nenhuma questão ganha significativa profundidade, sem contar que todos os conflitos se revolvem de maneira muito fácil.
Os personagens
Como consequência, os personagens também soam inconsistentes. A protagonista Bárbara, por exemplo, está encucada com a sua idade, mas não demonstra nenhum abatimento. Assim, sai à noite para beber sozinha num balcão de bar ou para baladas com a amiga. Por sua vez, o filho Rodrigo demonstra estar muito feliz tocando num boteco – faltou para ele uma cena em que estivesse constrangido apresentando uma música sertaneja, sacrifício que fica apenas nas suas falas. A própria falta de dinheiro dele não parece nada sério, pois não passam muitos dias até que a sua esposa consiga um novo emprego, mesmo que em outra profissão.
Quanto a Davi, o problema é que este personagem se mostra perfeito demais. Porém, a personagem mais fraca é Cristina, que demonstra uma alegria tão constante que soa afetada. Sem contar que ela trata Bárbara como senhora, embora seja íntima o suficiente para entrar e sair do apartamento da amiga sem nenhuma cerimônia.
A direção
A direção de Gloria Pires se mantém dentro do cinema clássico. Arrisca umas duas cenas com o sobre-enquadramento, com um ambiente do apartamento em primeiro plano e uma porta fazendo a divisão para o segundo. Além disso, ousa posicionar a câmera atrás de um móvel, em um determinado trecho. Mas vai para o lugar comum da montagem com lembranças recentes no momento da epifania da protagonista. E ainda cai na armadilha de filmar planos turísticos do Rio de Janeiro, aproveitando a atual facilidade de se usar drones. As cenas de sexo são delicadas, sem mostrar nudez e com um desfoque que impede qualquer sensualidade. Então, é difícil compreender por que o filme traz um plano com um enquadramento feio, grosseiro até, filmando de cima Bárbara deitada num banco e, abaixo dela, Davi sentado nu da virilha para cima.
Sexa tem o mérito de conectar a sua trama com a vida real da diretora e atriz Gloria Pires, que se reinventa como sexagenária. Longe de ser perfeito, o filme consegue, pelo menos, entreter o público com muita movimentação. Mas, não vai além disso.
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Ficha técnica:
Sexa | 2025 | Brasil | Direção: Gloria Pires | Roteiro: Guilherme Gonzalez | Elenco: Gloria Pires, Isabel Fillardis, Thiago Martins, Danilo Mesquita, Eri Johnson, Luana Tanaka.
Distribuição: Elo Studios.
Trailer:



