Sirât

Título original: Sirât

Direção: Oliver Laxe

Ano de lançamento: 2025

Data de estreia no Brasil: 26/02/2026

Gênero: ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 7/10

Sirât, quarto filme do diretor francês Oliver Laxe, encontra um paralelo entre o espírito de dançar até não aguentar mais das raves e a busca desesperada de seus personagens. Luis (Sergi López), acompanhado de seu filho Esteban (Bruno Núñez Arjona), procura em uma rave no sul de Marrocos a sua filha Mar, que desapareceu há cinco meses.

Na introdução, sem diálogos, Oliver Laxe constrói uma montagem de planos enigmáticos da preparação da festa, com pilhas de amplificadores apontados para as montanhas do deserto. Os tons graves da música eletrônica em alto volume (experiência complicada de se retratar no cinema, mas que Laxe consegue realizar) parecem que vão abalar as estruturas rochosas. Não provoca esse efeito literalmente, porém deixa evidente que essa rave não pertence a esse ambiente.

De fato, após passar muito tempo filmando as pessoas dançando na rave, em paralelo com a ronda de Luis e Esteban perguntando sobre Mar, chega o exército marroquino ordenando a evacuação. Durante a saída forçada, Luis dirige seu trailer atrás do comboio de dois caminhões que pegam uma rota alternativa. É quando surge o título do filme na tela, após decorridos uns 30 minutos após o seu início.

Luis segue os dois veículos com dois homens mutilados e mais três pessoas que perderam suas conexões com as suas famílias. Para esse grupo, curtir uma rave se tornou o pico de suas existências, quando podem extravasar tudo o que sentem por dentro. Por isso, rumam para uma grande festa na Mauritânia, dispostos a enfrentar um árduo caminho pelo deserto.

Desesperança

Começa assim uma jornada da desesperança, em linha com as notícias que chegam pelo rádio sobre o início de uma terrível guerra. Tanto para Luis como para os seus novos companheiros, essa viagem não passa de ilusão, porque dificilmente a filha estará nessa festa, e os demais buscam apenas umas horas de entorpecimento para esquecer suas agonias.

Mas, toda a jornada se assemelha a uma rave, como confirma a trilha musical eletrônica que acompanha os personagens. Surgem momentos perigosos, como o trajeto pelas montanhas, longe dos soldados, mas à beira de um precipício. Em seguida, enfrentam um campo minado. Tragédias acontecem, a primeira delas com alta carga dramática e que pega o espectador de surpresa. As demais já parecem obrigatórias para levar ao final melancólico, no qual todos terminam com menos do que tinham antes. Dançaram até não aguentar mais. Além disso, o paralelo com o poder destrutivo da guerra ganha força, pois todos partem sem rumo em um trem, junto a milhares de habitantes daquele local.

O roteiro impacta menos do que a direção de Oliver Laxe, que consegue colocar uma alta carga dramática nos momentos mais trágicos – mais no primeiro do que nos seguintes. A abertura do filme e o trajeto pelas montanhas são as sequências mais fortes, enquanto a do campo minado parece forçada, principalmente a primeira morte que coincide com a vítima gritando “exploda”. Os personagens de Luis e Esteban atraem a empatia do espectador, mas os demais, do grupo de ravers, nem tanto, o que enfraquece a dramaticidade.

Sirât venceu o prêmio do júri no Festival de Cannes e abre a 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

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Ficha técnica:

Sirât | 2025 | França, Espanha | 120’ | Direção: Oliver Laxe | Roteiro: Oliver Laxe, Santiago Fillol | Elenco: Sergi López, Brúno Nuñez Arjona, Stefania Gadda, Joshua Liam Henderson, Tonin Janvier, Jade Oukid, Richard Bellamy.

Distribuição: Retrato Filmes.

Trailer:

Onde assistir:
Sergi López e Brúno Nuñez Arjona em "Sirât" (divulgação/49ª Mostra)
Sergi López e Brúno Nuñez Arjona em "Sirât" (divulgação/49ª Mostra)

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