O diretor Brad Furman costuma escalar atores do primeiro time como protagonista de seus filmes. Por exemplo, Matthew McConaughey em O Poder e a Lei (The Lincoln Lawyer, 2011), Bryan Cranston em Conexão Escobar (The Infiltrator, 2016), e Johnny Depp em Cidade de Mentiras (City of Lies, 2018). Mas, em seu novo lançamento, Soldado de Chumbo (Tin Soldier, 2025), ele conta, no papel principal, com Scott Eastwood, que, apesar da sua nobre linhagem, coleciona filmes sofríveis em sua carreira. Este é mais um deles.
O elenco de Soldado de Chumbo ainda traz outros nomes de impacto. Porém, nenhum que garanta uma produção de qualidade, pelo menos no estágio atual de suas trajetórias. Robert De Niro há tempos aceita pequenos papéis que ele filma em poucos dias só para se manter ativo, ou engordar a sua poupança. O colombiano John Leguizamo também faz uma breve participação. Já Jamie Foxx está no importante papel do vilão da história, mas num overacting insuportável, que inclui até um trecho de cantoria. A atriz francesa Nora Arnezeder – de Armadilha Explosiva (Déflagrations, 2021) – entra como o interesse amoroso do herói.
Na trama, Bokushi (Jamie Foxx) cria um grupo de resistência paralelo desviando a verba de um programa de tratamento de traumas de guerra destinado a ex-combatentes americanos. Nash Cavanaugh (Scott Eastwood) escapa desse programa na companhia de sua amada Evoli Carmichael (Nora Arnezeder), mas na fuga sofre um acidente automobilístico e ela desaparece num rio. Tempos depois, o FBI decide desmantelar o exército de Bokushi, e solicita a ajuda de Nash, pois o seu conhecimento como ex-membro da organização rebelde é extremamente útil. Nash só aceita porque surgem rumores de que Evoli ainda está viva e sob a guarda de Bokushi.
Mirando o drama
Aparentemente, Brad Furman não quis fazer um simples filme de ação. Pelo jeito, sua intenção foi se aprofundar na psicologia do protagonista, mergulhando na culpa que sente Nash pelo acidente que matou Evoli. Por isso, o filme está repleto de flashbacks com as lembranças de Nash do tempo que passou no programa. Alguns deles estão embalados por uma estilização (bordas da tela desfocadas, câmera lenta, filtros na lente) que lembra a poesia visual de Terrence Malick (mas em seus piores momentos). Durante a invasão à instalação de Bokushi, o gatilho para o flashback é primário: a cada local que Nash entra, ele tem uma visão do passado. A busca pela poesia também impregna a narração em primeira pessoa do personagem principal, em falas exageradamente floreadas.
A fim de retratar o tormento do protagonista, o filme apresenta uma fotografia suja e cenários feios. O quartel general do grupo rebelde se assemelha a um prédio em construção cuja obra foi interrompida. A câmera na mão reforça a impressão de amadorismo. Parece uma produção C, mas as generosas explosões indicam que orçamento não era tão baixo. Foi mesmo uma escolha do diretor, que filma tudo com muita pressa, sem planejar adequadamente o que enquadrar. As lutas, da mesma forma, evidenciam essa preocupação com o tempo, pois, ao invés de ensaiar coreografias para os combates, prefere-se registrar golpe a golpe, em planos curtos, que depois a edição tenta, sem sucesso, montar de forma empolgante ou, ao menos, compreensível.
Soldado de Chumbo, por todos esses problemas, nunca empolga. É um filme de ação que se perde por tentar ser um drama.
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Ficha técnica:
Soldado de Chumbo | Tin Soldier | 2025 | 86 min. | Reino Unido, EUA | Direção: Brad Furman | Roteiro: Brad Furman, Jess Fuerst, Pablo F. Fenjves | Elenco: Scott Eastwood, Jamie Foxx, Robert De Niro, Nora Arnezeder, Joey Bicicchi, John Leguizamo, Rita Ora.
Distribuição: Diamond Films.



