Song Sung Blue

Poster de "Song Sung Blue" (divulgação/Universal Pictures)

Título original: Song Sung Blue

Direção: Craig Brewer

Ano de lançamento: 2025

Data de estreia no Brasil: 29/01/2026

Gênero: ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 7,5/10

Song Sung Blue – Um Sonho a Dois, de Craig Brewer, é a adaptação ficcionalizada do documentário Song Sung Blue (2008), de Greg Kohs, que conta a história de Mike e Claire Sardina, dois músicos azarões que se conheceram tardiamente e iniciaram uma carreira juntos, em 1989, interpretando músicas de Neil Diamond, usando o nome Lightning & Thunder. O casal obteve razoável sucesso, o suficiente para se manterem, mas esse período de bonança durou pouco. Como o filme mostra, Mike e Claire foram tão desafortunados quanto os irmãos em Garra de Ferro (2023), de Sean Durkin.

Os dois longas anteriores do diretor americano Craig Brewer foram o bom Meu Nome é Dolemite (2019) e o razoável Um Príncipe em Nova York 2 (2021), ambos estrelados por Eddie Murphy. O futuro poderá confirmar, mas parece que Brewer lida melhor com cinebiografias, pois em Song Sung Blue – Um Sonho a Dois ele novamente realiza um belo filme.

A escolha do elenco é acertada. Tanto Hugh Jackman quanto Kate Hudson já provaram que são atores e cantores, por isso encarnam convincentemente esses dois músicos. Suas interpretações das composições de Neil Diamond são potentes (e podem ser conferidas na trilha musical que já está disponível nos streamings de música) e representam os momentos mais entusiasmantes do filme. O elenco secundário também é ótimo, com destaque para Michael Imperioli – que faz Mark, o guitarrista e amigo de Mike – e todos os atores que fazem os filhos: Ella Anderson, como a filha de Claire; King Princess, no papel da filha de Mike; e principalmente o pequeno Hudson Hensley, uma promissora revelação (este é apenas o seu segundo trabalho), interpretando Dana, caçula de Claire.

Narrativa em dois tons

Song Sung Blue – Um Sonho a Dois possui uma dinâmica bem definida. A primeira metade transborda empolgação. O romance engata rapidamente, junto com a parceria musical. No primeiro ensaio da banda completa, na garagem de Mike, “Crunchy Granola Suite” contagia o espectador, com seu ritmo pulsante e a química do casal, como provam as reações de Dana e até da vizinha em frente (clichê bem utilizado). As apresentações em público começam com uma frustração, por erro do empresário, e vão escalando positivamente numa esperta montagem de diferentes shows da dupla, ao som de “Sweet Caroline”, a composição mais conhecida de Neil Diamond.

A segunda metade se inicia com um longo fade-out para a tela preta depois de uma tragédia. O tom muda drasticamente, fica sombrio, envolve depressão, brigas, alucinações. O uso do espelhamento de situações acentua essa virada. Lá na abertura, em close-up muito próximo, Mike fala diretamente para a câmera. Com o violão pendurado nos ombros, o espectador se pergunta o que ele está fazendo. Eis que um plano mais afastado revela que ele está numa reunião de alcoólatras autônomos. No espelhamento, é Claire que aparece nesse enquadramento fechado, pois ela precisa agora de um tratamento. Nos dois casos, a solução acontece via tratamento clínico – o que faz sentido por ser baseado em eventos reais, portanto não caberia uma opção mais fantasiosa para acentuar o drama.

Há ainda outro espelhamento, o do fade-out, porque essa dupla continua a ser vítima de infortúnios. Desta vez, o público acompanha com suspense, pois o que vai acontecer fica evidente antes, quando o personagem sofre dores no peito, algo que vai gradualmente se agravando na história. Aliás, na primeira tragédia também se trabalha o suspense, pois o que atinge a vítima se aproxima aos poucos na cena, em segundo plano.

Um filme com nuances

Tais recursos cinematográficos não se sobressaem pela originalidade, mas por serem utilizados com precisão. Isso vale também para os números musicais, que empolgam quando devem, sem soarem apelativos nos momentos tristes – como a arriscada, para a personagem e para a experiência do espectador, apresentação no funeral perto da conclusão. O público apreciará mais Song Sung Blue – Um Sonho a Dois se ficar atento a essas nuances.

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Ficha técnica:

Song Sung Blue:Um Sonho a Dois | Song Sung Blue | 2025 | 133 min. | EUA | Direção: Craig Brewer | Roteiro: Craig Brewer | Elenco: Hugh Jackman, Kate Hudson, Michael Imperioli, Fisher Stevens, Jim Belushi, Ella Anderson, King Princess, Mustafa Shakir, Hudson Hilbert Hensley.

Distribuição: Universal Pictures.

Trailer:

Onde assistir:
Kate Hudson e Hugh Jackman em "Song Sung Blue" (divulgação/Universal Pictures)
Kate Hudson e Hugh Jackman em "Song Sung Blue" (divulgação/Universal Pictures)

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