Tatame

Título original: Tatami

Direção: Zar Amir Ebrahimi, Guy Nattiv

Ano de lançamento: 2023

Data de estreia no Brasil: 02/04/2026

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 5,5/10

Tatame faz história por ser o primeiro filme codirigido por cineastas do Irã (a também atriz Zar Amir Ebrahimi) e de Israel (Guy Nattiv). Por esse motivo, a bandeira política marca a produção, desde o seu tema. Mas, não vai além disso.

Inspirado em acontecimentos reais, é um drama esportivo sobre uma atleta iraniana – Leila Hosseini (Arienne Mandi) – que vê sua promissora trajetória no campeonato mundial de judô da WJA ser ameaçada pelo regime autoritário do seu país. Para evitar um indesejado confronto na final com a judoca do Israel, chamado de opressor pelo governo iraniano, demandam que Leila desista do torneio.

Em flashbacks (que se confundem com a narrativa principal porque não apresentam nenhuma distinção visual), o filme mostra que Leila nunca engoliu o tratamento rígido do regime iraniano em relação às mulheres. Numa cena que seguramente seria censurada no país, Leila está nua na cama com seu marido, e os dois começam a fazer amor até um telefonema os interromper. Em outro momento mais revelador, ela e o marido vão a uma casa noturna clandestina para dançarem ao som de música eletrônica. E Leila aproveita para soltar os seus cabelos, o que é proibido.

O filme mostra que quem desrespeita as determinações do Líder Supremo do Irã coloca em risco a sua integridade e a de seus parentes. Por isso, quando Leila decide não acatar a ordem de abandonar o campeonato, ela avisa o marido no Irã para que ele fuja do país com o filho do casal. Porém, na ausência deles, quem acaba sofrendo as penalidades são os pais de Leila.

O passado que se repete

A treinadora Maryam Ghanbari, interpretada pela codiretora Zar Amir Ebrahimi, passou por um drama similar quando era atleta. Independente disso, essa personagem muda de atitude várias vezes durante o filme. Em sua primeira reação, ela decide manter Maryam na competição sem nem contar para ela sobre a restrição do regime.

Mas, depois reconsidera e tenta impedir que sua atleta siga no torneio. Alguns telefonemas do Irã e agentes iranianos disfarçados presentes no ginásio intimidam a treinadora, mas isso não justifica que Maryam reavalie sua posição, considerando que ela já passou por essa experiência no passado. E, na verdade, a volubilidade de Myriam é pouco convincente.

A fotografia totalmente em preto e branco talvez busque uma aproximação com o documental, reforçando a origem factual do roteiro. Funciona bem nas cenas de lutas de judô (as primeiras são bem filmadas, mas as demais nem tanto), que ganham na narração do locutor uma explicação didática para quem não conhece as regras do esporte. Mas, a intenção de construir um retrato realista é minada por outros aspectos do filme. Como, por exemplo, a mal-arranjada fuga de carro do marido com o filho com a sirene da polícia tocando ao fundo. Sem contar os erros de encenação, como os amigos e familiares em casa torcendo animados por Leyla com uma empolgação que não combina com a situação de uma luta que está quase perdida para a protagonista.

Muito barulho por nada

A direção também erra nas escolhas sobre a perspectiva que adota. Começa e mantém a visão de Leyla durante quase todo o filme, mas resolve mudar para a perspectiva de Maryam, desperdiçando a força dramatúrgica que construíra até então. E a treinadora é uma personagem fraca, seu passado não é mostrado em flashbacks e suas atitudes são imotivadas. O filme chega até a mostrar o ponto de vista de um agente iraniano que observa a luta no tatame do alto da arquibancada, quando seria bem mais significativo e dramático mostrar a perspectiva de Leyla percebendo essa ameaça.

Como resultado dessas escolhas erradas, Tatame deixa o espectador com a impressão de que a proibição não passou de muito barulho por nada. Claro que tem um significado político forte, pontuando o autoritarismo que mina a liberdade da população. Mas, a atleta israelense nem chegou, à final, portanto Leyla não a enfrentaria. O filme falha, sobretudo, porque não transmite o quão importante era para a protagonista não desistir de seu sonho.

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Ficha técnica:

Tatame | Tatami | 2023 | 105 min. | Geórgia, EUA, Reino Unido | Direção: Zar Amir Ebrahimi, Guy Nattiv | Roteiro: Elham Erfani, Guy Nattiv | Elenco: Arienne Mandi, Zar Amir Ebrahimi, Jaime Ray Newman.

Distribuidora: Kajá Filmes.

Trailer:

Onde assistir:
Zar Amir Ebrahimi em "Tatame" (divulgação/Kajá Filmes)

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