Uma Jovem Tão Bela Quanto Eu

Poster de Uma Jovem tão Bela Quanto Eu

Título original: Une belle fille comme moi

Direção: François Truffaut

Ano de lançamento: 1972

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 7/10

Em Uma Jovem Tão Bela Quanto Eu, François Truffaut volta a trabalhar o tema do amor trágico muito recorrente em seu cinema. Desta vez, misturando romance com crime e comédia.

Mais uma vez, Truffaut coloca Bernadette Lafont num pedestal, como já fizera no curta Os Pivetes (Les Mistons, 1957). A atriz sustenta o interesse no filme como a sedutora Camille Bliss que, enquanto aguarda o julgamento pelo assassinato de um de seus amantes, recebe o sociólogo Stanislas Prévine (André Dussollier) que a entrevista para escrever seu primeiro livro. Durante as sessões, ele próprio se torna a próxima vítima dessa ardilosa manipuladora, que relata seu envolvimento com quatro homens ao mesmo tempo. Iludido, ele não percebe que quem realmente o ama é a sua secretária Hélène (a estreante Anne Kreis).

Comédia e direção talentosa

A comédia predomina no filme. Truffaut explora o humor do cinema mudo nos trechos em que Camille conta sobre a morte de seu pai abusivo. Os amantes também são todos engraçados. O marido não tem muita inteligência, o cantor de boate é um canastrão (sua apresentação no palco é longa demais, mas está repleta de deboche), o advogado disputa com ela quem é mais vil, e tem ainda a ingenuidade absurda do desinsetizador. Assim como o sociólogo, nenhum deles resiste aos encantos de Camille.

Truffaut consegue inserir nessa trama, baseada no livro de Henry Farrell, uma referência ao seu amor pelo cinema. Quando o enredo entra na investigação de Prévine para encontrar provas que inocentem Camille, a evidência é um filme amador feito por um garoto apaixonado por cinema.

Em relação à forma, o cineasta francês evidencia seu talento, mesmo num filme que não é um dos seus melhores. Destacam-se os travelling e os deslocamentos laterais que exploram a arquitetura dos cenários – em especial na casa da sua sogra. O impacto visual de alguns planos também impacta, como a despedida de um já totalmente apaixonado Prévine olhando para Camille ao fundo, atrás das grades. Além disso, Truffaut filma Bernadette Lafont com os olhos de um admirador, seduzindo o espectador, um fator essencial para a consistência dessa narrativa.

Uma Jovem Tão Bela Quanto Eu agrada aos fãs do diretor francês em particular, mas também a todos que se tornam vítimas dos encantos de Camille Bliss. Pode não ser o melhor Truffaut, mas certamente é cinema da melhor qualidade.

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Ficha técnica:

Uma Jovem Tão Bela Quanto Eu | Une belle fille comme moi | 1972 | 98 min. | França | Direção: François Truffaut | Roteiro: François Truffaut, Jean-Loup Dabadie | Elenco: Bernadette Lafont, André Dussollier , Claude Brasseur, Charles Denner, Guy Marchand, Anne Kreis, Philippe Léotard, Gilberte Géniat.

Bernadette Lafont e Philippe Léotard em Uma Jovem tão Bela Quanto Eu
Bernadette Lafont e Philippe Léotard em Uma Jovem tão Bela Quanto Eu

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