Após estrear como diretor em Jogue a Mamãe do Trem (Throw Momma from the Train, 1987), Danny DeVito rodou outra comédia satírica, A Guerra dos Roses (The War of the Roses, 1989). Baseado no livro de Warren Adler, este filme mostra um casal recorrendo a medidas absurdamente extremas na disputa para ver quem vai ficar com a casa ao se divorciarem.
DeVito também atua no filme, no papel do advogado e melhor amigo do casal. É ele quem conduz a narrativa, contada a partir de seus flashbacks. O seu escritório, marcado por cores verde escura e vermelho carmim, e seu modo de narrar remetem ao cinema clássico, inclusive na movimentação da câmera. A direção de DeVito se destaca positivamente. O uso de elipses temporais deixa o ritmo ágil, e o timing para as piadas é outro acerto. Embora utilize o contra-plongée injustificadamente – para não dizer indevidamente – no geral DeVito faz um bom trabalho como diretor.
Contudo, o humor da sátira representa um enorme desafio. Aposta em situações e personagens desagradáveis, que provocam o espectador ao invés de agradá-lo. Neste filme, Oliver Rose (Michael Douglas) e Barbara Rose (Kathleen Turner) entram em conflito por um motivo muito comum. Numa típica relação patriarcal, Barbara teve que renunciar à sua vida profissional para cuidar dos dois filhos. Enquanto isso, Oliver continuou trabalhando e prosperou. Sentindo-se incompleta com o papel exclusivo de mãe, Barbara começa a empreender vendendo patês. Seu sucesso acarreta o desentendimento com o marido. A solução é se divorciarem.
Humor grosseiro
No entanto, e aí entra o detalhe da sátira, os dois não chegam a um acordo em relação à casa onde moram. Uma belíssima casa, que Barbara escolheu e decorou com dedicado capricho. Porém, Oliver argumenta que foi ele quem pagou por tudo. Pronto! Nasce aí a discórdia incontornável, que levará a consequências absurdas.
Para embarcar nessa comédia, e rir das suas piadas, o espectador precisa engolir esses dois personagens egoístas e materialistas. Além disso, encarar como pura fantasia as tolas maneiras de um atacar o outro. Recorrendo sempre a agressões físicas, geralmente para destruir algum bem que o outro venera, os confrontos lembram os desenhos animados dos Looney Tunes. Porém, numa versão live action grosseira.
Não bastasse o desafio de gostar dessas piadas, o filme busca um erotismo forçado de Kathleen Turner. De fato, ela despontou assim em Hollywood, ao encarnar uma femme fatale no neo-noir Corpos Ardentes (Body Heat, 1981). Mas, aqui sua sedução soa gratuita, a começar pelo vestido molhado transparente quando aparece em cena pela primeira vez.
Não é fácil gostar de A Guerra dos Roses, porque DeVito acerta na forma, porém erra feio no tom.
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Ficha técnica:
A Guerra dos Roses | The War of the Roses | 1989 | 116 min. | EUA | Direção: Danny DeVito | Roteiro: Michael Leeson | Elenco: Michael Douglas, Kathleen Turner, Danny DeVito, G.D. Spradlin, Marianne Sägebrecht, Dan Castellaneta, Sean Astin, Heather Fairfield.
Distribuição: 20th Century Fox.



