A História de Adèle H.

Poster de "A Historia de Adèle H."

Título original: L'histoire d'Adèle H.

Direção: François Truffaut

Ano de lançamento: 1975

Gênero: , ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 8/10

O amor doentio, tema marcante na filmografia de François Truffaut, volta ao protagonismo em A História de Adèle H.. Após ganhar projeção internacional com o Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira de A Noite Americana (1973), que também tocou nessa questão, Truffaut filma a verdadeira história da segunda filha do escritor Victor Hugo.

Em 1863, Adéle Hugo (Isabelle Adjani) abandona a sua vida na França para perseguir o seu amado, o tenente inglês Albert Pinson (Bruce Robinson). Assim, viaja até Halifax, Nova Escócia, na época da Guerra Civil dos Estados Unidos. Após finalmente o reencontrar, lhe dá dinheiro para ajudar a pagar as dívidas de jogos dele, um dos motivos que justificam a reprovação de Victor Hugo em relação ao rapaz. Porém, mais importante que isso, o tenente simplesmente não a ama. Pinson é um mulherengo, como ela própria testemunha, uma decepção que a leva a um processo autodestrutivo de desleixo com a própria saúde. O desespero a faz buscar soluções fajutas, como um hipnotizador pilantra, até acabar como uma mendiga enlouquecida na ilha de Barbados, para onde Pinson havia sido enviado.

A direção de Truffaut

Truffaut aparece em uma ponta por volta dos 19 minutos de filme. Mas, as suas marcas como cineasta se espalham ao longo de toda a duração. Ótimo diretor de atrizes, conduz Isabelle Adjani a entregar uma de suas melhores interpretações, recebendo, inclusive, uma indicação ao Oscar por esse papel. A degradação psicológica de seu personagem, pelo amor não correspondido, é impactante. Quando desembarca em Halifax, aparenta bastante lucidez em suas vestimentas nobres, aparência que representa a sua forte esperança de reconquistar o objeto de seu amor. Mas, em Barbados, já se transformou numa mendiga louca que perambula pelas ruas.

Além disso, Adjani protagoniza as típicas cenas no cinema de Truffaut com a imagem da atriz narrando (o que ela escreveu em seu diário, que serviu de base para o roteiro) em fusão com o mar. A atriz ainda permanece em close durante todo o desenrolar dos créditos finais, superando o desafio de nada expressar. Um pouco antes, perto da conclusão, Truffaut recorre ao estilo documental presente em seus primeiros filmes, ainda na Nouvelle Vague, para relatar o que aconteceu com Adèle Hugo nos anos derradeiros de sua trágica existência.

Nos diários de Adèle Hugo, Truffaut encontrou o material perfeito para o seu tema preferido. E fez dele mais um de seus grandes filmes.

___________________________________________

Ficha técnica:

A História de Adèle H. | L’histoire d’Adèle H. | 1975 | 96 min. | Direção: François Truffaut | Roteiro: François Truffaut, Jean Gruault, Suzanne Schiffman | Elenco: Isabelle Adjani, Bruce Robinson, Sylvia Marriott, Joseph Blatchley, Ivry Gitlis, Louise Bourdet, Cecil De Sausmarez, Ruben Dorey.

Isabelle Adjani e François Truffaut em "A Historia de Adèle H."
Isabelle Adjani e François Truffaut em "A Historia de Adèle H."

Outras críticas:

Rolar para o topo