A Mão Que Balança o Berço

Poster de "A Mão Que Balança o Berçõ" (2025)

Título original: The Hand That Rocks the Cradle

Direção: Michelle Garza Cervera

Ano de lançamento: 2025

Data de estreia no Brasil: 19/11/2025

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 4/10

Passados mais de 30 anos, a versão original de A Mão Que Balança o Berço (1992) já pode ser considerada um clássico. E como muitas pessoas associam essa classificação a algo antigo, ultrapassado, resolveram modernizar essa história para os tempos atuais. Modernização do conteúdo, não na forma, pois a diretora Michelle Garza Cervera não traz nada de novo. Pelo contrário, usa exageradamente os espelhos como representação do duplo dos personagens – tão insistentemente que beira uma paródia. A intenção, então, seria atualizar as questões abordadas no roteiro. Porém, isso descamba em bandeiras inseridas artificialmente, como a inclusão dos personagens com origem latina e asiática (lembrando que a diretora é mexicana), e a vilã lésbica.

Essa ânsia por dialogar com o público contemporâneo acaba eliminando o que o roteiro original tinha de melhor. Para começar, quer navegar na onda dos plot twists, item prioritário segundo os algoritmos das produções para streaming (como esta feita para a Hulu). Nesse intuito, esconde do público a verdadeira identidade da babá Polly Murphy (Maika Monroe) e quais são as suas intenções ao começar a trabalhar para Caitlin Morales (Mary Elizabeth Winstead). Com isso, se perde um dos pontos mais empolgantes do filme de Curtis Hanson, que era acompanhar a vilã na execução de seu engenhoso plano de vingança. Além disso, deixa de fora a questão (à frente de seu tempo) do assédio sexual que disparou aquele enredo.

Um filme que nunca funciona

Já o fato de Polly ser lésbica retira a excitante possibilidade de ela seduzir o marido de Caitlin, uma das vias para ela se apoderar da família dela. Alguns pequenos indícios de que Polly poderia se envolver sexualmente com Caitlin, o que esquentaria a trama, acabam não dando em nada. De fato, a personagem de Maika Monroe não parece tão poderosa, capaz de induzir todos os personagens a agirem como ela quer. Suas motivações são pouco convincentes e não explicam as várias questões que surgem na mente do espectador. Por fim, para deixar o enredo ainda mais frouxo, Caitlin também tem um segredo, que indica que ela não é tão inocente e ingênua, qualidade que dava maior fragilidade a essa personagem no filme original – portanto, uma vítima indefesa diante de uma oponente tão vil. Com isso, o desmoronamento psicológico de Caitlin parece injustificado.

Resta à diretora Michelle Garza Cervera apelar para truques baratos para criar tensão. Recorre aos sons estranhos e à música sinistra para indicar o tom da cena. Usa até efeitos distorcidos na imagem para essa finalidade. Depois, a cineasta que fez Huesera (2022), um longa de terror sobre gravidez (portanto, conversando com este), insere violência explícita desnecessária para tentar impactar o público. Não adianta, pois o filme como um todo não funciona, e inclua aí o elenco, que merece uma crítica negativa como um assemble cast.

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Ficha técnica:

A Mão Que Balança o Berço | The Hand That Rocks the Cradle | 2025 | 105 min. | EUA | Direção: Michelle Garza Cervera | Roteiro: Micah Bloomberg | Elenco: Maika Monroe, Mary Elizabeth Winstead, Raúl Castillo, Mileiah Vega, Nora Contreras, Lola Contreras, Martin Starr, Yvette Lu, Riki Lindhome.

Distribuição: Disney+.

Onde assistir:
Maika Monroe em uma da várias cenas com espelho em "A Mão Que Balança o Berçõ" (2025)
Maika Monroe em uma da várias cenas com espelho em "A Mão Que Balança o Berçõ" (2025)

Outras críticas:

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