A Morte de um Unicórnio segue a diretriz da produtora A24 de distorcer os filmes de gênero. Neste caso, mais especificamente ao romper a percepção tradicional do unicórnio como sendo um animal fofo, símbolo da pureza.
Escrito e dirigido pelo estreante Alex Scharfman, o longa não nega essa essência de bondade do ser mítico. Porém, como tem sido costumaz no cinema americano há décadas, a ganância das pessoas desperta o pior de todas as criaturas.
Tudo começa com um acidente. Elliot (Paul Rudd) leva sua filha Ridley (Jenna Ortega) para uma viagem de negócios. O destino é a mansão do seu cliente Odell (Richard E. Grant), milionário à beira da morte para quem ele advoga. Se tudo correr como ele planeja, Elliot espera ser nomeado administrador dos bens da família após a morte do patriarca.
Mas, dirigindo por uma estrada secundária, Elliot atropela um unicórnio. Quando Ridley toca em seu chifre, tem uma experiência alucinógena. Porém, antes que possa contar ao pai, este espanca o bicho com uma barra de ferro. Acreditando que mataram a criatura, colocam-na no porta-malas e retomam o caminho até a casa de Odell. O milionário descobre que o sangue do animal tem poderes de cura. Assim, vê nisso a solução para eliminar o câncer que o está matando, e ainda uma oportunidade de lucros estratosféricos. Contudo, dois unicórnios enormes (os pais do menor que foi atropelado) invadem o local e promovem uma matança generalizada para salvar o filhote deles.
Violência, Spielberg e efeitos visuais
A fim de escancarar a quebra de expectativas em relação aos unicórnios, o filme leva a violência a um nível extremo. Uma pessoa arrebentada ao meio, vísceras arrancadas, chifres que atravessam o torso, enfim, é puro gore na parte final. Note que algumas dessas mortes aparecem nas ilustrações em tapeçaria dos créditos finais.
Porém, os efeitos visuais são fracos, tanto nesses detalhes sangrentos quanto na própria concepção dos unicórnios, que estão longe de parecerem reais. Provavelmente não intencionalmente seus movimentos parecem de stop motion. E isso reduz o impacto dessa violência gráfica.
A história, no entanto, é bem escrita. Além de ser uma crítica divertida (o tom cômico marca forte presença), o enredo possui um fundamento em lendas, conforme a personagem Ridley descobre. E esse elemento mítico sempre agrega valor ao gênero fantástico.
As espinhas no rosto de Jenna Ortega são um detalhe à parte. Parece que a maquiagem as produziu para que a atriz parecesse uma adolescente (Jenna já tem 22 anos). Mas, a finalidade está surpreendentemente ligada à narrativa. Estão ali porque depois o sangue do unicórnio conseguirá curá-las.
Em alguns pontos, a direção de Alex Scharfman se aproxima de Steven Spielberg. O unicórnio em close baforando em cima de Ridley parece inspirada em Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993). Os trechos com personagens olhando espantados em direção à câmera reproduz uma característica muito presente em Spielberg. E os cientistas no túnel de plástico remete a E.T.: O Extraterrestre (1982).
No balanço entre ponto de partida intrigante, efeitos visuais fracos, um arco de personagens básico (a reconciliação entre Elliot e Ridley), e um final bacana (não precisa mostrar o que acontece), o saldo é positivo.
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Ficha técnica:
A Morte de um Unicórnio | Death of a Unicorn | 2025 | 107 min. | EUA, Hungria | Direção: Alex Scharfman | Roteiro: Alex Scharfman | Elenco: Paul Rudd, Jenna Ortega, Will Poulter, Téa Leoni, Richard E. Grant, David Pasquesi, Anthony Carrigan, Jessica Hynes.
Distribuição: Universal Pictures.



