A Mulher Mais Rica do Mundo se inspira no caso de Liliane Bettencourt, a herdeira e principal acionista da L’Oréal, que doou centenas de milhões de euros ao fotógrafo e escritor François-Marie Banier, na primeira década deste século.
No filme, o diretor Thierry Klifa mostra como o galanteador Pierre-Alain Fantin, vivido por Laurent Lafitte, se aproxima da bilionária Marianne Farrère (Isabelle Huppert). Em pouco tempo, os dois se tornam amigos inseparáveis. O marido Guy Farrère (André Marcon) se mostra condescendente, pois quer que a esposa curta a vida nessa idade avançada.
Mas, a filha Frédérique (Marina Foïs) se opõe a esse intruso que se infiltra cada vez mais na sua família. Primeiro, ela fica indignada com a grosseria dele, que muitas vezes está acompanhado do seu namorado, e com as ofensas às atitudes do avô durante a Segunda Guerra Mundial. Depois, sua inquietação se intensifica ao ver a mãe dando quantias imensas de dinheiro e de bens valiosos a Fantin.
Outra testemunha ativa desse processo escandaloso é o mordomo Jérôme (Raphaël Personnaz). Ele sinceramente quer proteger Marianne e a família desse usurpador (que o trata muito mal). E faz o que está ao seu alcance.
A direção
O enredo evita a cronologia pura, inserindo depoimentos dos personagens envolvidos ao longo do filme. Esse artifício ajuda a explicitar o que eles pensam e acrescentam algumas informações factuais. Por exemplo, a quanto tempo o mordomo trabalha para a família, ou os motivos da mágoa da filha com a mãe. Mas, começar o longa com um flash forward soa batido e desnecessário – até por que não elucida o que está acontecendo.
O tom é sempre sério, mas o Pierre-Alain Fantin possui um jeito fanfarrão que esbarra no caricato e, consequentemente, leva ao humor sarcástico. Provoca o público a ver essa situação toda como absurda. Dá para aceitar que a magnata idosa se deixe seduzir para aproveitar um lado da vida que ela nunca pode explorar, mas a dilapidação do seu próprio patrimônio demanda um aprofundamento que o filme não consegue fazer, e que percorre a perda da noção do valor do dinheiro.
Formalmente, dois recursos da direção se inspiram em antigos cineastas autorais. Por exemplo, a leitura das cartas entre a mãe a filha com a imagem sobreposta da remetente lendo o conteúdo remete a uma característica de François Truffaut. E quanto Marianne atravessa pela porta de vários cômodos de sua casa até finalmente alcançar a última que abre para a sacada, onde encontra o ar puro que busca lembra o cinema de Luchino Visconti.
Por falar em influências, A Mulher Mais Rica do Mundo parece retratar uma versão real de Boudu, Salvo das Águas (1932), de Jean Renoir. Principalmente, no almoço em família em que o intruso Fantin se comporta de forma grosseira e choca os modos comportados dos aristocratas Farrère. Contudo, as conclusões dessas duas histórias são bem diferentes. Boudou descobre que prefere a vida livre que sempre teve, enquanto Fantin só é barrado por ordem judicial.
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Ficha técnica:
A Mulher Mais Rica do Mundo | La femme la plus riche du monde | 2025 | 121 minutos | França | Direção: Thierry Klifa | Roteiro: Thierry Klifa, Cédric Anger, Jacques Fieschi | Elenco: Isabelle Huppert, Laurent Lafitte, Marina Foïs, Raphaël Personnaz, André Marcon, Mathieu Demy, Micha Lescot, Joseph Olivennes, Paul Beaurepaire, Yannick Renier, Anne Brochet, Douglas Grauwels.
Distribuição: Synapse Distribution.










