A Pequena Amélie

Título original: Amélie et la Métaphysique des Tubes

Direção: Maïlys Vallade, Liane-Cho Han Jin Kuang

Ano de lançamento: 2025

Data de estreia no Brasil: 12/03/2026

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 8/10

Através da narração em primeira pessoa da protagonista, A Pequena Amélie apresenta inusitadas elocubrações de uma menininha desde seu nascimento até seus três anos. O filme é baseado no livro “A Metafísica dos Tubos” de Amélie Nothomb.

Amélie é uma garotinha belga nascida no Japão, onde ainda mora, no final dos anos 1960. O pai trabalha como diplomata, e a mãe é musicista. Caçula, Amélie sofre com o irmão mais velho, que sempre judia dela. Com a outra irmã, se dá bem, mas os mais velhos preferem brincar entre eles.

No início do filme, Amélie nasce e se sente o centro do universo. Por isso, se confunde com deus. Seus pensamentos tentam encontrar uma explicação metafísica a partir dessa perspectiva.

Aos dois anos e meio, após um terremoto, Amélie descobre que é um bebê. E passa a chorar constantemente, levando ao desespero seus pais. Como solução, a família contrata uma moça para ajudar com a casa e com a bebê. Nishio-san chega no mesmo dia em que a avó viaja da Bélgica para visitá-los.

O chocolate branco que ganha da avó faz Amélie provar o prazer material e despertar a consciência sobre o seu corpo. Imediatamente aprende a andar, a correr e a falar. A avó retorna para a Bélgica e, então, Amélie estabelece uma forte conexão com Nishio-san. Com ela, a menina aprende a cultura japonesa e se identifica com ela.

Feridas da guerra

O filme trata também das perdas. Para Amélie, a morte de alguém da sua família é o primeiro contato com essa experiência. Nishio-san, por sua vez, conta que perdeu todos seus parentes num bombardeio durante a Segunda Guerra Mundial. Esta cena delicada ganha uma inventiva analogia visual com o processo de preparo da comida, aos olhos de Amélie. Esse exercício é muito forte neste longa, em vários momentos, e um dos seus maiores trunfos.

Mas, o passado conflituoso entre Ocidente e Oriente ainda deixa feridas abertas. A locadora da casa onde a família de Amélie mora, por exemplo, se tornou uma senhora solitária e amarga depois que perdeu as duas pessoas mais importantes de sua vida na guerra. Na parte final, há uma abertura para um arco de redenção dessa personagem, mas não muito explícito. Já a história de Amélie no Japão se encerra com o retorno obrigatório da família para a Bélgica. O regresso coincide com o fechamento dessa fase inicial de três anos da personagem, que descobre, enfim, que não é deus.

Este é o primeiro filme dirigido pela dupla Maïlys Vallade e Liane-Cho Han Jin Kuang. Antes, os dois trabalharam juntos no departamento de animação dos filmes O Pequeno Príncipe (2015), Longo Caminho Rumo ao Norte (2015) e Calamidade (2020).

A Pequena Amélie se destaca pela criatividade no visual que retrata a percepção de uma criança diante dos acontecimentos, ao mesmo tempo que traz uma narração repleta de pensamentos existenciais. Indicado ao Oscar de Melhor Longa de Animação, é o candidato que mais merece o prêmio.

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Ficha técnica:

A Pequena Amélie | Amélie et la Métaphysique des Tubes | 2025 | 77 min. | França, Bélgica | Direção: Maïlys Vallade, Liane-Cho Han Jin Kuang | Roteiro: Maïlys Vallade, Liane-Cho Han Jin Kuang, Aude Py | Vozes: Loïse Charpentier, Victoria Grosbois, Yumi Fujimori, Isaac Schoumsky.

Distribuição: Mares Filmes e Alpha Filmes.

Trailer:

Onde assistir:
"A Pequena Amélie" (divulgação)

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