A Terra do Meu Pai

Título original: Fatherland

Direção: Paweł Pawlikowski

Ano de lançamento: 2026

Data de estreia no Brasil: 29/10/2026

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação:

3.5

/5

O diretor polonês Pawel Pawlikowski mantém algumas características que me encantaram em seus filmes Ida (2013) e Guerra Fria (2018), em especial a fotografia em preto e branco de Lukasz Zal, os enquadramentos caprichados que privilegiam a arquitetura das locações e o predomínio da câmera fixa. Mas, desta vez, ele evita a sua maior ousadia: o quadro com os personagens achatados na parte inferior da tela, deixando um espaço estranhamente grande acima — chega perto disso apenas na cena de abertura, com um dos personagens sentado no chão. Portanto, mostra-se menos maneirista e mais um esteta, pois Pawlikowski certamente estudou cada milímetro das locações que utilizou no longa até decidir onde colocar a sua câmera.

A trama acompanha a turnê do escritor Thomas Mann na Alemanha em 1949, acompanhado por sua filha e assistente Erika. Nesse período pós-guerra, há uma sensação de mal-estar no país do nazismo derrotado. Figura proeminente, vencedor do Nobel de Literatura, Thomas Mann é visto com desconfiança porque se exilou por 16 anos nos Estados Unidos. Prova disso é a carta de ameaça que Erika intercepta no hotel em Frankfurt, cidade sob ocupação americana. De lá, eles partem para Weimar, controlada pelos soviéticos, para receber uma homenagem nas comemorações do bicentenário de nascimento de Goethe.

Poesia visual

Entre as cenas marcantes está a caminhada de Erika (interpretada por Sandra Hüller) pela mata, por onde passa por estátuas que se destacam em planos específicos sucessivos, em um processo que remete a Sergei Eisenstein, pela montagem russa em terreno soviético, e a François Truffaut, pela poesia que evoca Jules e Jim – Uma Mulher para Dois (1962).

O trecho final, por sua vez, emociona sem precisar de palavras: Thomas e Erika, pai e filha fisicamente próximos, mas em um relacionamento conflituoso — principalmente depois que o irmão dela se suicida —, buscam a reconciliação enquanto ouvem um órgão que sobreviveu milagrosamente a um bombardeio em uma mansão em ruínas. Da mesma forma, a vida (das Leben) e o amor (die Liebe) ainda resistem apesar da devastação, pois Thomas Mann perdeu o filho por não saber amá-lo. E o mesmo vale para a Alemanha, destruída física e moralmente por conta da derrota do nazismo.

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Ficha técnica:

A Terra do Meu Pai | Fatherland | 2026 | 82 min. | Polônia, Alemanha, Itália, França | Direção: Pawel Pawlikowski | Roteiro: Paweł Pawlikowski, Henk Handloegten | Elenco: Hanns Zischler, Sandra Hüller, August Diehl, Anna Madeley, Devid Striesow, Joanna Kulig.

Distribuição: MUBI / Imovision.

Trailer:

Onde assistir:
Sandra Hüller e Hanns Zischler em "A Terra do Meu Pai" (divulgação: MUBI/Imovision, ©AgataGrzybowska)

Outras críticas:

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