A Última Casa

Título original: The Last House

Direção: Louis Leterrier

Ano de lançamento: 2026

Data de estreia no Brasil: 07/08/2026

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação:

2

/5

Algumas produções da Netflix reforçam a crítica de que foram planejadas com base em algoritmos. O filme A Última Casa entra nessa lista. Seu diretor é o nada autoral Louis Leterrier, seu elenco reúne nomes em alta no momento, sua história tem clara intenção de surpreender, e aborda temas da moda.

O cineasta francês Louis Leterrrier é um profissional competente. Típico diretor de estúdio, realiza o trabalho seguindo as recomendações do seu contratante. Quando tem em mãos um material bom, entrega resultados agradáveis. São exemplos positivos: Truque de Mestre (2013), Os Opostos Sempre Se Atraem (2022) e Velozes & Furiosos 10 (2023).

O roteirista do filme, Matthew Robinson, se encaixa na proposta da Netflix de sempre ter tramas com plot twists. Comprovam isso seus roteiros para Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra (2025) e Amor e Monstros (2020) – este último feito para esta empresa de streaming. Ao que parece, em A Última Casa Robinson ficou sufocado pelos direcionamentos que provavelmente recebeu.

Como resultado, escreveu um enredo superficial que não constrói personagens sólidos. Os protagonistas são uma família que mora numa casa num subúrbio americano. Wagner Moura interpreta Jason, o pai que está desempregado. Greta Lee faz a mãe Ann. Eles têm dois filhos: Ruth de 8 anos e Graham de 12. Num dia de chuva qualquer, descobrem que estão trancados em casa, assim como todo bairro (e toda a cidade, talvez até uma extensão maior). Conforme o tempo passa e essa situação se mantém, surgem preocupações quanto a falta de comida, água, energia, remédios etc. que vão se confirmar gradativamente.

Mirando vários temas

O filme não se decide qual rumo tomar, nem quais temas desenvolver. Aponta para várias direções, mas não se aprofunda em nenhuma delas. O desemprego preocupa a família, mas não influencia a narrativa. Aliás, apesar disso, eles possuem um estoque de comida suficiente para vários meses (o que não acontece com o casal idoso vizinho).

Insinua-se que a família não conhece os moradores da própria rua, mas apenas como comentário, sem se elaborar uma crítica sobre o individualismo da sociedade contemporânea. Aliás, o próprio roteiro desmente posteriormente esse isolamento, porque os protagonistas sabem o nome de todos os vizinhos. Contudo, tal assunto poderia levar a um aprofundamento sério, pois as famílias, trancadas em suas casas, nem podem se ajudar. Então, é cada uma por si mesma.

O fenômeno descamba para situações clichês do isolamento social da recente pandemia da Covid e que já cansaram o público. Assim, se sucedem as alternativas que a família adota para evitarem o tédio e se manterem saudáveis enquanto presos em casa. Uma sequência tola, com os personagens se divertindo ao som de “Close to Me” do The Cure (escolha óbvia com base no título) se estende demasiadamente, até o ponto de irritar o espectador.

Fugindo do terror

O filme ganha uma pequena sobrevida quando surge o vulto de um ser na janela. Essa ameaça produz certo suspense. O drama apelativo do cachorro de estimação conduz a uma possiblidade sombria, o que também tira o espectador do marasmo. Mas, esses tons não se sustentam, porque poderiam tirar o rótulo de “filme para a família toda”. De fato, a classificação que recebeu no mercado norte-americano foi PG-13.

Assim, ao invés de rumar para o suspense e o terror, esta ficção-científica apocalíptica prefere apostar na aventura. Busca a diversão das tentativas de caçar pequenos animais com arapucas, e na preparação de armadilhas na própria casa para resistir aos invasores. A solução para vencer as criaturas reforça a abordagem juvenil do filme. E que ainda precisa de explicação via narração – recurso dispensável que entra reiteradamente com essa finalidade, alternando os personagens que a enunciam.

No fundo, a única originalidade de A Última Casa está na origem desses seres poderosos (até demais) que controlam o clima. Como esse é o único trunfo dessa produção, não vou entregar aqui a surpresa. Mas, essa novidade suplica pelo aprofundamento nas questões ambientais que, inclusive, se encaixariam na alternativa viável de autossustentabilidade que a família protagonista aprende a dominar. Porém, o filme desperdiça essa demanda temática para perder tempo com tolices genéricas.

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Ficha técnica:

A Última Casa | The Last House | 2026 | 110 min. | Estados Unidos | Direção: Louis Leterrier | Roteiro: Matthew Robinson | Elenco: Greta Lee, Wagner Moura, Riley Chung, Emma Ho, Noah Alexander Sosnowski, Gabriel Barbosa, Audrey Anderson.

Distribuição: Netflix.

Trailer:

Onde assistir:
Wagner Moura, Greta Lee, Riley Chung e Noah Alexander Sosnowski em "A Última Casa" (divulgação/Netflix)

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