A Vizinha Perfeita

Título original: The Perfect Neighbor

Direção: Geeta Gandbhir

Ano de lançamento: 2025

Data de estreia no Brasil: 17/10/2025

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 4/10

A Vizinha Perfeita poderia ser anunciado como um domentário found footage, já que é formado quase que inteiramente por imagens de bodycams (aquelas câmeras que ficam no uniforme de policiais) e câmeras de segurança. A diretora Geeta Gandbhir e a montadora Viridiana Lieberman merecem todos os elogios por editarem um vasto material de dois anos de gravações e extrair dele uma narrativa envolvente sobre um crime que aconteceu em Marion County na Flórida.

Mas, por ser um relato verídico, é um filme que parece mais um episódio de um dos vários programas de true crime que infestam os canais de televisão e o streaming do que cinema. O belo trabalho da edição não evita que o espectador tenha que suportar mais de uma hora e meia de vídeos de baixa qualidade enquanto acompanha uma história que só engaja até o momento do assassinato. Depois disso, o filme mergulha na chatice dos procedimentos policiais e na exploração da tragédia para levantar bandeiras precipitadamente.

Desgraça alheia

A história chama a atenção por evidenciar a incapacidade de algumas pessoas para viver em comunidade. Assim se caracteriza Susan Lorincz, que mora sozinha e implica com as crianças que brincam no terreno vazio ao lado de sua casa. Conforme os registros das bodycams, as pequenas rusgas se acumulam ao longo de várias ocorrências num período de dois anos, com os confrontos se tornando gradativamente mais agressivos, até que acontece a tragédia anunciada.

O que se segue são os procedimentos que colocam a suspeita na cadeia para aguardar o seu julgamento, enquanto a comunidade pressiona para que seja feita justiça. O filme força um protesto contra tratamento desigual por questões raciais, inclusive na cartela final. Porém, esse problema não se aplica a este relato, pois não foi essa a motivação da assassina – certamente ela faria a mesma coisa se fosse a vizinha branca, que demonstrava até mais repúdio a ela. Além disso, a decisão do júri tampouco corrobora a disparidade racial da cartela.

Além de forçar uma situação para levantar a bandeira racial, A Vizinha Perfeita ainda distorce a finalidade das bodycams. Esses equipamentos servem para produzir provas nas abordagens policiais, tanto para proteger como para denunciar os policiais. Não deveriam, portanto, servir de material para produção de entretenimento. Este filme é um mau exemplo de exploração da desgraça alheia para buscar audiência. E o pior é que deu certo, chamou a atenção dos menos atentos e ainda recebeu uma indicação ao Oscar.  

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Ficha técnica:

A Vizinha Perfeita | The Perfect Neighbor | 2025 | 96 min. | Direção: Geeta Gandbhir | Com Susan Lorincz, Ajike Owens, Franklin Baez-Colon, Michael Balken.

Distribuição: Netflix.

Onde assistir:
"A Vizinha Perfeita" (Netflix)

Outras críticas:

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