Amor Apocalipse (Amour apocalypse, 2025), sexto longa da diretora e roteirista canadense Anne Émond, falha porque não consegue definir o seu tom. Apesar de lidar com um protagonista que sofre de depressão, o filme se vende como se fosse uma comédia romântica.
O personagem principal se chama Adam (Patrick Hivon), um homem de 40 e poucos anos que vive sozinho e se sente triste por sua impotência diante dos rumos ambientais do planeta. Segundo a sua percepção, todos os problemas no mundo atingiram um nível de pico máximo. Como ele próprio nomeia, ele sofre de solastalgia, o sofrimento psicológico provocado pela destruição ou transformação negativa do ambiente em que uma pessoa vive. Adam ganha seu sustento som seu canil, onde conta com uma jovem assistente, Romy (Élizabeth Mageren), que se aproveita da fragilidade do patrão para mandar nele.
A trama se inicia quando ele telefona para a assistência de uma lâmpada com luz terapêutica que acaba de comprar. Logo que a atendente Tina (Piper Perabo, de Show Bar [Coyote Ugly, 2000]) pega a chamada, Adam começa a contar os seus problemas pessoais, pensando que se trata de um serviço de apoio psicológico. Apesar do engano, Tina se mostra sensível e receptiva, o que encanta esse cliente tão carente. E, dessa forma, acontece o meet-cute que engatilha o romance.
Humor forçado
A comédia do filme parece forçada. Aposta nas situações absurdas. Incentivado por Tina, Adam fura o pneu da SUV de um conhecido, copiando as manifestações na Austrália que ele viu nas notícias contra esse veículo poluidor. E, depois, saem correndo como crianças sapecas, sob o efeito da paixão. Em outra situação, Adam cai de uma ponte, depois de ameaçar se suicidar, mas a trilha musical é divertida. Além disso, tem o temporal aparentemente devastador no final do filme, que pode ser apenas a percepção exagerada de Adam.
A tentativa de humor também vem dos personagens. Além da mandona e sexualmente fogosa Romy, tem os amigos largados de Adam. Todos são excêntricos, mas não necessariamente engraçados. O caso do protagonista Adam é o mais complicado, pois o seu comportamento esquisito é sintoma de sua depressão. Portanto, não há motivos para rir dele. E o filme mergulha num tom verdadeiramente sombrio na cena em que a filha adolescente de Tina tenta o suicídio, que é um momento dolorosamente triste.
O material de Amor Apocalipse renderia um melodrama de respeito, mas a diretora Anne Émond não soube o que fazer com a sua criação.
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Ficha técnica:
Amor Apocalipse | Amour apocalypse | 2025 | 100 min. | Canadá | Direção: Anne Émond | Roteiro: Anne Émond | Elenco: Piper Perabo, Patrick Hivon, Élizabeth Mageren, Gilles Renaud, Connor Jessup, Leona Son, Sienna Feghouli, Denis Houle.
Distribuição: Synapse.
Trailer:









