Anêmona

Título original: Anemone

Direção: Ronan Day-Lewis

Ano de lançamento: 2025

Data de estreia no Brasil: 19/02/2026

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 7/10

Anêmona é o primeiro longa dirigido por Ronan Day-Lewis. Filho do ator Daniel Day-Lewis e Rebecca Miller (que acaba de lançar a minissérie documental O Lendário Martin Scorsese [2025]), Ronan estreia com um drama psicológico denso, marcado por uma fotografia exuberante e interpretações fortes.

A história se passa no Norte da Inglaterra e trata de um evento da Guerra da Irlanda do Norte que marcou para sempre a vida de Ray (Daniel Day-Lewis). Condenado pelo tribunal militar por assassinato, ele cumpre a sua pena numa cabana afastada. Por isso, se afastou da sua mulher Nessa (Samantha Morton), o que vem afetando o comportamento do filho do casal, Brian (Samuel Bottomley), agora um jovem adulto que acaba de agredir gravemente um rapaz. Nessa escreve uma carta para Ray, pedindo para ele vir conversar com o filho dele.

Jem (Sean Bean), o irmão de Brian, leva a carta até o destinatário. Mas, eles não se falam há 20 anos. O filme mostra um reencontro bem inusitado, que corrobora o caráter bruto desses dois personagens que eram os valentões do bairro quando jovens, e que ainda brigam na porrada com a idade avançada. Eles nem se falam quando se reveem. Brian abre a porta de sua cabana, eles se sentam, tomam café, depois jantam, escovam os dentes, dormem… sem nem conversarem. Brian recebe a carta de Nessa, mas não a lê.

Um processo lento

Antes de tudo, eles precisam reatar a relação deles. O processo é lento, e silencioso. Começam a falar um com o outro sobre besteiras, com Brian tirando sarro da religiosidade de Jem. Mas, o assunto entra num tom sério, e um deles acusa o outro de não ter feito nada para evitar os estupros que sofreu de um padre molestador de menores. Contudo, o segredo maior se aloja num lugar mais profundo de Brian – e o atormenta em sonhos (há trechos fantásticos com Nessa como assombração, e uma criatura gosmenta, como uma anêmona, com uma bomba como órgão que simboliza o evento que o levou à condenação). E esse segredo só vem à tona no final desse processo de reconciliação entre irmãos para, enfim, Brian se convencer a contá-lo ao seu filho.

A fotografia (de Ben Fordesman) privilegia as cenas noturnas e crepusculares, trazendo uma textura úmida para a tela, sempre com cores intensas. Mesmo quando filma de dia, essas características se mantêm. A câmera fixada no tripé e a edição majoritariamente clássica contribuem para que o drama se desenrole sem pressa, o que evidencia a dificuldade desse processo de cura familiar.

Ronan Day-Lewis flerta com a atmosfera úmida e degradada do cinema de Andrei Tarkovsky, mas a ameniza com a bela fotografia da hora mágica, e cenas noturnas que se aproximam de pinturas. Mescla também trechos de intensa melancolia silenciosa, com outros de muita falação em tom agressivo. A direção não entrega tudo mastigado para o espectador (por que a chuva de granizos enormes?), mas o seu final não é aberto, é uma elipse para o que todos sabem com certeza o que acontecerá. Uma bela estreia, que chama a atenção mais pela forma do que pelo enredo.

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Ficha técnica:

Anêmona | Anemone | 2025 | 125 min. | Reino Unido, Estados Unidos | Direção: Ronan Day-Lewis | Roteiro: Daniel Day-Lewis, Ronan Day-Lewis | Elenco: Daniel Day-Lewis, Sean Bean, Samantha Morton, Samuel Bottomley, Safia Oakley-Green, Adam Fogerty, Paul Butterworth, Lewis Ian Bray.

Distribuição: Universal Pictures.

Assista ao trailer aqui.

Onde assistir:
Daniel Day-Lewis em "Anêmona"

Outras críticas:

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