Aniversário Macabro

Título original: The Last House on the Left

Direção: Wes Craven

Ano de lançamento: 1972

Data de estreia no Brasil: 22/03/1974

Gênero: , ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 5/10

Aniversário Macabro (The Last House on the Left), filme de estreia do diretor Wes Craven, reverbera a violência da Guerra do Vietnã na era pós-hippie. O longa embarca na Nova Hollywood que já estava em curso, notadamente a partir de Bonnie e Clyde: Uma Rajada de Balas (1967), de Arthur Penn.

Isso fica evidente quando a protagonista, a jovem Mari Collingwood (Sandra Peabody, no filme creditada como Sandra Cassell), diz aos pais que, para comemorar seu aniversário de 17 anos, vai a um show da banda (fictícia) Bloodlust, acusada de matar galinhas no palco. A mãe retruca, indagando se ela não era da “love generation”.  Os tempos mudaram rapidamente, mas os pais (que depois agem como dois bobões enquanto preparam o bolo para a filha) não perceberam. Por isso, dão de presente um pingente com o símbolo hippie de paz e amor. Esse objeto icônico desempenhará uma função vital na parte final dessa história.

Mas, Mari e sua amiga Phyllis Stone (Lucy Grantham) ainda não são suficientemente conscientes da violência real. A caminho do show, tentam comprar drogas de um rapaz na rua, e sobem para o apartamento dele. Esse garoto é irmão mais novo de Krug (David Hess), que acaba se sair da prisão com seu amigo Fred. O grupo ainda inclui Sadie, a namorada de Krug.

As agressões do bando de arruaceiros começam no apartamento, num cenário de violência urbana. Phyllis é molestada e estuprada (sem mostrar os detalhes). Essas cenas são entrecortadas com o que acontece na casa de Mari, onde os pais alegremente preparam a festa, agindo como dois bocós, trocando insinuações sexuais.

Violência x comédia

Na manhã seguinte, o grupo coloca as garotas no porta-malas e parte. Mas, o carro quebra, perto da última casa à esquerda na estrada, bem em frente da entrada que leva para a casa de Mari. Na mata, a violência se intensifica. O bando de pervertidos molesta sadicamente as duas jovens.

Na parte final, Krug e sua turma, sem saberem, pedem ajuda na casa dos pais de Mari, que os acolhem. Quando descobrem que esse grupo atacou sua filha, eles partem para a desforra. Entre armadilhas precárias e outras abordagens duvidosas, o pai tem, de improviso, a ideia de atacar Krug com uma motosserra, o que ganharia notoriedade por causa do posterior O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chain Saw Massacre, 1974), de Tobe Hooper.

Richard Towers em “Aniversário Macabro”

Além da motosserra, Wes Craven poderia ter antecipado também o impacto que o filme de Tobe Hooper causou. Aniversário Macabro gerou polêmicas por sua violência crua e sem sentido. Mas, na verdade, mostra pouca violência gráfica, principalmente na perspectiva contemporânea. O que ainda impacta é sua abordagem dúbia.

Há vários trechos cômicos no filme, principalmente aqueles envolvendo o xerife e seu assistente, que são dois bocós inseridos em situações de humor pastelão. Os pais de Mari também começam o filme nessa pegada, só mudam nas cenas de vingança.

A estranha trilha musical

A trilha musical folk de David Hess – que interpreta Krug, o líder da gangue de malfeitores – causa muito estranhamento. Para as cenas que apresentam a gangue de sádicos, Hess compôs um bluegrass saltitante e alegre, que lembra acompanhamento de comédias. Soa inadequada, como se insinuasse que esses desajustados fossem apenas atrapalhados inofensivos. Já nos atos de perversão na mata, a música é um folk suave, quando uma composição sombria deixaria esses trechos extremamente sinistros e repugnantes.   

Contudo, a trilha musical entra nos eixos quando acontece a perseguição a Phyllis, com um ritmo pulsante ditado pela percussão. No estupro de Mari na mata, a música está quase ausente, até que entra uma inesperada canção melancólica, que indica que todos estão tristes, inclusive os bandidos.

Aniversário Macabro é um filme irregular, inclusive com erros de edição e más atuações. Não dá para ter certeza de que Wes Craven estava consciente dessa utilização inusitada da trilha musical. Porém, com certeza ele quis inserir as várias cenas cômicas com os pais e os policiais que parecem totalmente deslocadas da narrativa principal do filme. Talvez a intenção fosse retratar os pais e o xerife como representantes da ingênua geração dos anos 1950, que não deu bola e até criticou os hippies da década seguinte e não assimilou que tudo deu errado, e essa desilusão permeou o início dos anos 1970. A relevância maior desta estreia de Craven está no pioneirismo em sinalizar a violência que pairou no cenário americano com os relatos da Guerra do Vietnã. Muitos outros filmes seguiriam essa tendência.

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Ficha técnica:

Aniversário Macabro | The Last House on the Left | 1972 | 84 minutos | Estados Unidos | Direção: Wes Craven | Roteiro: Wes Craven | Elenco: Sandra Peabody, Lucy Grantham, David Hess, Fred J. Lincoln, Jeramie Rain, Marc Sheffler.

Onde assistir:
Sandra Peabody e Lucy Grantham em "Aniversário Macabro"

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