Betty Blue

Título original: 37°2 le Matin

Direção: Jean-Jacques Beineix

Ano de lançamento: 1986

Data de estreia no Brasil: 30/10/1986

Gênero: ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 8/10

O diretor Jean-Jacques Beineix lançou o estilo que ganharia a alcunha de Cinéma du Look ao estrear com Diva (1981). Depois, despertou a atenção dos fãs de cinema com seu filme A Lua na Sarjeta (La lune dans le caniveau, 1983), por conta de seu elenco global formado por Gérard Depardieu, Nastassja Kinski e Victoria Abril. Mas, o seu maior sucesso veio em seguida, com Betty Blue, baseado no livro de Philippe Djian. Lançado em 1986, tornou-se imediatamente um fenômeno cult, e agora volta aos cinemas em versão remasterizada.

Parte da sua popularidade veio das ousadas cenas de nudez total dos atores protagonistas, Jean-Hugues Anglade e Béatrice Dalle, estreando nos cinemas com 22 anos. Porém, mais marcantes são a sua fotografia com cores intensas e, principalmente, o ar descolado dos personagens principais que não se apegam a regras sociais e querem viver intensamente.

O romance vibrante

Zorg (Jean-Hugues Anglade) é um escritor não-publicado que vive como zelador dos chalés de madeira na Plage des Chalets em Gruissan. A vocação para a escrita justifica que o filme seja conduzido pela sua narração em off. O longa abre já com uma apimentada cena de sexo entre ele e Betty (Béatrice Dalle), que ele conheceu há uma semana.

Sem nenhum aviso, Betty aparece à porta do bangalô de Zorg, com suas malas. Esse jeito impulsivo dela vai agitar a vida acomodada do seu novo namorado. No início, ela embarca na tranquila rotina de Zorg e o ajuda a pintar um dos chalés do local. O rosa e o azul das tintas colorem o ambiente, que parece ainda mais belo nos planos filmados no crepúsculo, ainda mais com a música tocada no saxofone de um dos moradores.

Porém, a impulsividade de Betty descamba para o seu pragmatismo irascível. Ela não vai engolir que o chefe de Zorg o explore. E toma uma medida radical, sem se preocupar em nada com as consequências. Louca, dizem a todo momento sobre ela.

A segunda parte do filme acontece em Paris, onde o casal se instala na casa de Lisa (Consuelo De Haviland), amiga de Betty. Esta datilografa o livro manuscrito de Zorg, e o envia a várias editoras, pois acredita ser uma obra-prima. Os dois começam a trabalhar no restaurante de Eddy (Gérard Darmon), novo namorado de Lisa. Certa noite, Betty se irrita com uma cliente reclamona e a agride.

O romance trágico

Os quatro amigos abraçam um estilo de vida alegre, regado a bebidas. Mas, a repentina morte da mãe de Eddy obriga o grupo a amadurecer. Betty e Zorg se mudam para a pequena cidade interiorana de Marvejols, para cuidar da loja de pianos da falecida. Nesse cenário de calmaria, o casal começa a sonhar em construir uma vida em família. A música tranquila no dueto ao piano (do compositor Gabriel Yared) reflete essa busca pela tranquilidade, mas ao mesmo tempo soa triste. Os cenários, igualmente, são mais sóbrios, com tons gelados.

A terceira e última parte do filme muda drasticamente de clima. A impulsividade de Betty revela ser um mal. Diante de uma notícia ruim, sua frágil saúde mental desaba. A conclusão trágica e melancólica contrasta com o início alegre de Betty Blue, sensação que atinge o espectador não só pela narrativa como também pelo visual.

Para a maior parte do público, o encanto de Betty Blue se concentra no seu visual estilizado, seguindo o movimento cinematográfico francês dos anos 80 chamado Cinéma du Look, inaugurado por Diva (1981), do próprio Jean-Jacques Beineix, e do qual fazem parte também Subway (1985), de Luc Besson, e Sangue Ruim (1986), de Leos Carax. Mas, esse final trágico acrescenta uma camada narrativa a Betty Blue, deixando-o com diversas nuances, como se fosse uma resposta aos detratores que criticavam esse estilo por priorizar a forma ao conteúdo. Mais que isso, os personagens bacanas e intensos (demais) Zorg e Betty são especialmente encantadores.

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Ficha técnica:

Betty Blue | 37°2 le Matin | 1986 | 120 minutos (versão original) / 185 minutos (versão do diretor) | França | Direção: Jean-Jacques Beineix | Roteiro: Jean-Jacques Beineix | Elenco: Jean-Hugues Anglade, Béatrice Dalle, Gérard Darmon, Consuelo de Haviland, Clémentine Célarié, Vincent Lindon.

Distribuição: Pandora Filmes (relançamento em versão remasterizada em 16/04/2026).

Onde assistir:
Béatrice Dalle em "Betty Blue" (divulgação/Pandora)

Outras críticas:

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