O filme Blitz, escrito e dirigido por Steve McQueen, acompanha a solitária jornada de volta para casa de George, um menino de 9 anos interpretado por Elliott Heffernan. A história se passa em setembro de 1940, numa Londres aterrorizada por constantes bombardeios de aviões nazistas. Saoirse Ronan faz o papel de Rita, a mãe de George, que envia o seu filho para uma família no interior – movimento comum naquela época – para que ele se mantenha longe do perigo da guerra.
Contudo, no trajeto de ida, George foge do trem (de uma forma exageradamente fantasiosa), e começa o seu retorno para Londres. Na viagem, testemunha tragédias, sofre racismo, conhece pessoas de diferentes índoles. No ápice de sua jornada, chega perto da morte num ato de heroísmo que salva centenas de pessoas.
Em paralelo, o filme mostra a rotina de Rita enquanto o filho está longe. Ela trabalha, como muitas as mulheres em Londres, numa indústria de munições para a guerra. Algumas de suas colegas protestam a favor da abertura das estações de metrô para servirem de abrigo durante os ataques Blitzkrieg dos inimigos alemães. Num flashback, ela se lembra do pai do seu filho George, quando ele foi preso injustamente numa briga, apenas por ser negro.
Steve McQueen, diretor de 12 Anos de Escravidão (2013), não consegue emocionar em Blitz. A narrativa dividida da mãe e do filho segmenta o longa em filme de aventura (de George) e drama social (de Rita). O menino enfrenta desafios que beiram o exagero, enquanto nada muito empolgante acontece com a sua mãe. E nenhum dos dois protagonistas demonstra sentir muita falta um do outro, como era de se esperar. O encontro deles resulta de uma coincidência trágica, numa solução barata e previsível como acontece durante todo o enredo.
Emoção controlada
Quanto à direção, uma sequência chama a atenção. Primeiro, um plano contínuo leva a câmera a passear por uma casa noturna animada, onde as pessoas abastadas se divertem, alheias à guerra. O roteiro, novamente, não surpreende. Uma bomba explode no local, e agora o plano sequência acompanha a destruição. O espelhamento enfatiza a crítica social, provando que em tempos de guerra todos correm perigo. Nada muito relevante na mensagem, mas como cinema é um momento bem dirigido. Porém, não tem muita relação com a narrativa. Apenas acontece num local que reúne George e uns malfeitores que o aliciam.
McQueen ainda insere recorrentes sequências curtas enigmáticas. Essas transições experimentais não possuem um significado. Servem mais para provocar a sensação de desnorteamento ao estar no meio de uma guerra.
O filme sofre com uma fotografia escura demais. Em algumas cenas, é impossível ver o que está acontecendo. Mas, o pior é que o filme não diz nada, não chega a lugar nenhum. Quer mostrar como era a Londres daquele período da Segunda Guerra Mundial, mas fica entre a guerra, o racismo e o empoderamento feminino, sem se posicionar com veemência. Há personagens racistas e não-racistas, pessoas boas e pessoas más. A emoção não consegue fluir, pois está controlada sob o distanciamento físico e mental dos protagonistas. Blitz flui bem, mas em águas mornas.
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Ficha técnica:
Blitz | Blitz | 2024 | 120 min. | Reino Unido, Estados Unidos | Direção: Steve McQueen | Roteiro: Steve McQueen | Elenco: Saoirse Ronan, Elliott Heffernan, Paul Weller, Harris Dickinson, Benjamin Clementine, Kathy Burke, Weller, Stephen Graham, Leigh Gill, Mica Ricketts, CJ Beckford, Alex Jennings, Joshua McGuire, Hayley Squires, Erin Kellyman, Sally Messham.
Distribuição: Apple TV+










