Cara de Um, Focinho de Outro

Título original: Hoppers

Direção: Daniel Chong

Ano de lançamento: 2026

Data de estreia no Brasil: 05/03/2026

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação:

2

/5

Cara de Um, Focinho de Outro, animação da Pixar, ganhou esse título esdrúxulo na sua distribuição no Brasil. Aproveita uma expressão popular que significa a semelhança entre dois seres. Mas, o filme não trata disso. Não é que a protagonista, Mabel, se pareça com um castor. A trama vai além, pois ela consegue transferir a sua mente para um castor robótico. E, assumindo essa forma, ainda consegue se comunicar com os animais, de qualquer espécie, exceto os humanos. O título original, “Hoppers”, ganha a tradução, no próprio filme, de saltadores, e representa os cientistas e usuários de uma tecnologia avançada para transferir a sua consciência humana para animais robóticos hiper-realistas.

A relação entre humanos e animais é essencial para a premissa inicial. Desde adolescente, Mabel aprende com a sua avó a valorizar a natureza. Quando está com 19 anos, ela luta contra o prefeito da cidade para salvar o lago que fica atrás da casa da avó, agora falecida. Mabel quer impedir que a construção do trecho final de uma rodovia suspensa destrua esse lugar tão especial para ela.

Sem querer, Mabel se depara com a invenção secreta de uma professora da sua faculdade, o tal castor robô. À força, usa a tecnologia de transferir a sua mente para o animatrônico, e assim engana os demais animais que encontra na região. Com isso, pretende desarmar o argumento do prefeito, que diz que a sua construção não prejudicará nenhum animal, pois não há nenhum ali no lago. Na verdade, ele joga sujo, e Mabel conta com a ajuda dos bichos que conhece para repovoar o lugar.

Duas partes com resultados distintos

Essa primeira parte do filme tem bastante força dramática. A protagonista é uma personagem carismática, e fofinha na versão castor. Sua missão soa valorosa, e carrega uma mensagem importante de preservação da natureza e crítica contra os políticos desonestos. Os demais personagens animais são engraçados e simpáticos, adequados para o público-alvo desta produção. A comédia explora bastante as repetições (algo tolo se torna engraçado depois de se repetir várias vezes) e as situações em segundo plano (muito usado nos filmes de Jim Abrahams, Jerry Zucker e David Zucker).

Mas, a partir do momento em que acontece uma tal de conferência de animais, o filme degringola. Os outros reinos – os Insetos, os Peixes e as Aves – se recusam a ajudar Mabel e o animais nativos do lago. E surgem conflitos que soam bem chatos em comparação com a luta principal contra o prefeito. Além disso, surge um novo vilão, que usa um robô do prefeito através da tecnologia dos salteadores.

Cara de Um, Focinho de Outro, enquanto isso, cai na mesmice da correria que predomina nos longas de animação. Momentos nada divertidos, como o ataque do tubarão gigante, deixam essa segunda parte do filme maçante. A premissa inicial se perde em conflitos secundários e no surgimento do novo vilão. Este filme só vale mesmo pela sua primeira metade.

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Ficha técnica:

Cara de Um, Focinho de Outro | Hoppers | 2026 | 105 min. | EUA | Direção: Daniel Chong | Roteiro: Jesse Andrews | Elenco: Piper Curda, Bobby Moynihan, Jon Hamm, Kathy Najimy, Dave Franco, Eduardo Franco.

Distribuição: Walt Disney Studios.

Trailer:

Onde assistir:
"Cara de Um, Focinho de Outro" (divulgação/Disney)

Outras críticas:

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