Cazuza, Boas Novas

Poster de "Cazuza, Boas Novas" (divulgação)

Título original: Cazuza, Boas Novas

Direção: Nilo Romero, Roberto Moret

Ano de lançamento: 2025

Data de estreia no Brasil: 17/07/2025

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação: 7/10

O documentário Cazuza, Boas Novas apresenta o cantor e compositor Cazuza no auge da criatividade e no declínio de sua saúde. O artista foi o primeiro famoso a declarar publicamente que estava com AIDS, mas o fez quando já enfrentava a doença há mais tempo. O registro cobre o período entre 1987 e 1989, quando Cazuza lançou três álbuns e subiu no palco mais de 40 vezes para apresentar seu show “O Tempo Não Para”.

A primeira cena filma literalmente os bastidores de um dos shows de Cazuza. No sentido figurativo, é essa a proposta do diretor e roteirista Nilo Romero, que contou com a codireção de Roberto Moret. Baixista e amigo de Cazuza, Romero apresenta não só as suas memórias como também abraça a oportunidade de ter acesso direto a pessoas que foram essenciais na vida do músico retratado em seu filme. Assim, capta depoimentos de Lucinha Araújo (mãe de Cazuza), Léo Jaime, Roberto Frejat, Ney Matogrosso e Gilberto Gil, entre outros.

Além disso, traz para o documentário, ao longo de sua narrativa cronológica, trechos inéditos de shows, alguns gravados ao lado do palco, com câmeras amadoras, assim como uma festa de casamento onde Cazuza e seus amigos deram uma canja musical. Como complemento histórico, o filme busca também entrevistas e reportagens televisivas, além de recortes da mídia impressa.

Talento e rebeldia

As apresentações revelam o talento de Cazuza como intérprete, adaptando as melodias das composições para o estado de sua saúde e para alcançar maior dramaticidade. Acima de tudo, o músico manteve sempre acesa sua chama rebelde, daquele que antes sonhou com um Brasil melhor ao testemunhar o fim da ditadura, mas se deparou com uma sociedade ainda muito conservadora e preconceituosa.

O documentário de Nilo Romero expõe uma análise sobre como Cazuza pôde fazer da desgraça da AIDS uma arma adicional para a sua rebeldia. Ele não se recolheu em casa para se esconder, ao contrário, apresentou-se publicamente mesmo quando os efeitos da doença estavam devastadores. Foi o último tapa que Cazuza deu nesse Brasil retrógrado.

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Ficha técnica:

Cazuza, Boas Novas | 2025 | 91 min. | Brasil | Direção: Nilo Romero, Roberto Moret | Roteiro: Nilo Romero.

Distribuição: Cine Curta! e Kajá Filmes.

Trailer:

Depoimento de Nilo Romero:

Onde assistir:
Cena de "Cazuza, Boas Novas" (divulgação/Miriam Prado)
Cena de "Cazuza, Boas Novas" (divulgação/Miriam Prado)

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